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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Lição 8-O Compromisso com a Palavra de Deus


Objetivo: Mostrar aos alunos que o compromisso com a Bíblia é requisito fundamental para a igreja de Cristo seguir em obediência.

INTRODUÇÃO

O avivamento, conforme temos estudado nestas últimas lições, traz implicações duradouras. Na aula de hoje, atentaremos para os resultados de um compromisso com a Palavra de Deus. A princípio, destacaremos a necessidade de um compromisso incondicional com a Palavra de Deus. Em seguida, apontaremos a consolidação da obra de Deus através da Sua Palavra. Por fim, ressaltaremos algumas verdades bíblicas que devam ser consideradas.

1. COMPROMISSO COM A PALAVRA DE DEUS

Ainda que tenhamos estudado a respeito em lições anteriores, mesmo assim vale a pena repetir: não existe avivamento autêntico sem a intervenção direta da Palavra de Deus por meio da qual o Espírito Santo atua (II Tm. 3.16,17). Nos tempos de Esdras e Neemias tudo começou quando o povo de Israel se reuniu para buscar a Palavra de Deus (Ne. 8.1), não há possibilidade de reforma genuína sem a ministração bíblica (Ne. 8.13,18). Ela é o fundamento e os limites da reforma. Não podemos pôr outra base além daquela que recebemos de Deus (Ne. 10.29). Existem muitos movimentos evangélicos nos dias atuais que querem impor seus modismos, baseados em modelos de administração mundana, mas não podemos esquecer que os parâmetros a serem seguidos foram estabelecidos pelo Senhor em Sua Palavra. Depois que a Palavra é exposta, aqueles que a ouvem devem sair da zona de conforto, buscar a obediência ao Senhor, demonstrar compromisso diante da Palavra (Ne. 9.38). A liderança exerce papel primordial nesse aspecto, pois o exemplo deve partir daqueles que estão à frente do trabalho (Ne. 9.38; 10.1-27). Neemias foi um dos primeiros a assinar o documento (Ne. 10.1), dando o exemplo a ser observados pelos demais, os sacerdotes (Ne. 10.2-8), os levitas (10.9-13), chefes de famílias (Ne. 10.14-27), e o povo em geral (Ne. 10.28). Nesses dias de crise, os líderes evangélicos precisam voltar ao compromisso com a Palavra de Deus. Ainda que implique em falta de popularidade, ou perseguições daqueles que desconhecem a Bíblia. Carecermos de uma liderança totalmente consagrada a Deus, que não faça concessão com o pecado (Ne. 10.28), que coloque a Palavra de Deus em primeiro plano (Ne. 10.29), que se oponha à mistura do evangelho com as práticas mundanas (Ne. 10.30).

2. A CONSOLIDAÇÃO DA OBRA PELA PALAVRA DE DEUS

A obra de Deus é consolidada através da Palavra de Deus, e essa privilegia pessoas, não estruturas. Existem obreiros que se preocupam demasiadamente com construções, transformam edificações de tijolos no alvo principal. Neemias sabia da necessidade da reparação dos muros, mas seu objetivo era o desenvolvimento das pessoas. A cidade fora reconstruída para as pessoas, não as pessoas por causa das cidades. Do mesmo modo, os templos existem para as pessoas, não as pessoas por causa dos templos. Depois da cidade erguida, os líderes decidiram nela habitar (Ne. 11.1,2), resolveram abrir mão da prosperidade financeira, e viverem uma vida mais simples, juntamente com o povo. Paulo nos lembra que a piedade com contentamento é grande fonte de lucro (I Tm. 6.6). Templos são erguidos todos os dias nas igrejas evangélicas no Brasil, mas eles precisam ser freqüentados. Eles não devem servir apenas de adorno para as cidades, é preciso que a Palavra seja ali exposta, e os crentes não podem abandonar a congregação como é costume de alguns (Hb. 10.25). Nesta era de internet e televisão, há aqueles que não mais querem ir às igrejas, são os chamados desigrejados. Ainda que seja uma expressão da moda, e muitos o estejam fazendo, não podemos esquecer que somos partes de um todo, membros do corpo de Cristo, portanto, precisamos uns dos outros (I Co. 12). Não existem igrejas perfeitas, todas elas têm seus entraves, é necessário agir com tolerância em relação aos outros. A normalidade na igreja é justamente a anormalidade, somos todos cristãos incompletos, em um processo de construção, caminhando para a glória de Deus. Do mesmo modo que fomos alcançados pela graça de Deus, devemos ser graciosos no tratamento com os irmãos da igreja (Ef. 2.8,9).


3. AS VERDADES DA PALAVRA DE DEUS

Consoante ao exposto, devemos atentar para a Palavra de Deus. Como ponto de partida, devemos renovar nosso pacto, e permanecermos em contato com o Senhor e com o povo a quem Ele denominou de igreja (Mt. 16.18). Para tanto, precisamos perseguir a vontade de Deus (Ne. 10.30), separemo-nos, portanto, do pecado (Ne. 10.28) e estejamos dispostos a viver para Deus. A observância do Dia do Senhor também deva ser levada em consideração (Ne. 10.31). Os cristãos não dependem da guarda de dias para serem salvos, nem mesmo do Sábado (Cl. 2.16,17), considerando que este foi feito por causa do homem e não o homem por causa dele (Mc. 2.27). Por outro lado, o mercantilismo e a ganância estão transformando as pessoas em máquinas. Em busca de lucro desenfreado, as pessoas trabalham dia e noite, não separam tempo necessário para ir à igreja e para se congregarem com os irmãos. A natureza, criação de Deus, também tem sido desrespeitada (Ne. 10.31). Alguns crentes se utilizam de passagens descontextualizadas das Escrituras para propagarem a destruição ao meio ambiente. Aguardamos a volta do Senhor a qualquer momento, e essa é a bendita esperança da igreja, mas não sabemos quando ela acontecerá (I Ts. 4.13-17). Por isso, sejamos mordomos da criação de Deus, estejamos envolvidos no processo de redenção da natureza, que geme (Rm. 8.22). Em meio a essa sociedade controlada pelo lucro e o dinheiro, não podemos nos deixar conduzir pela lógica de Mamon (Mt. 6.24). Aprendamos, pois a exercer a generosidade (II Co. 8.4; 9.13; I Tm. 6.18), as dívidas não podem continuar, para sempre, sendo um jugo sobre as pessoas (Ne. 10.31), ainda que o cristão deva ser prudente ao contrair dívidas, ser parcimonioso em suas compras (Rm. 13.8). Não esqueçamos de contribuir para o desenvolvimento da obra do Senhor, a casa de Deus precisa ser mantida (Ne. 10.32-39), para isso servem os dízimos e as ofertas (Ml. 3.10).

CONCLUSÃO

A crise evangélica se revela no descaso em relação à Palavra de Deus. Precisamos resgatar o compromisso com a Bíblia, necessitamos de uma liderança firme, que não faça concessões ao pecado e que não se distancie dos princípios da Sagrada Escritura. Os crentes também devam ser admoestados a abandonarem seus pecados, a viverem em santificação para Deus. A “graça barata”, para usar uma expressão de Bonhoeffer, está formando uma geração de “crentes baratos”, que não mais carregam a cruz do discipulado, e que não levam a sério a radicalidade do cristianismo (Mt. 16.24).

BIBLIOGRAFIA

BROWN, R. The message of Nehemiah. Downers Grove: IVP, 1998.

PACKER, J. I. Neemias: paixão pela fidelidade. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

Publicado no blog Subsidio EBD

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Lição 7-Arrependimento, a Base para o Concerto


INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos a importância do arrependimento não apenas em relação à Judá, quando do retorno do cativeiro, mas o analisaremos como um princípio gerado pela Palavra de Deus, sendo válido para todos em todas as épocas.

I - DEFINIÇÃO DE ARREPENDIMENTO
Podemos recorrer aos termos originais, no Antigo e no Novo Testamento, para termos uma compreensão mais clara do que vem a ser “arrependimento”. As palavras utilizadas no Antigo Testamento para expressar a ideia de arrependimento são shuv(virar para trás, voltar) e nicham (arrepender-se, consolar). Shuv ocorre mais de cem vezes no sentido teológico de desviar-se de Deus (I Sm 15.11; Jr 3.19); também significa ‘voltar para Deus’ (Jr 3.7; Os 6.1). Às vezes, esse termo é utilizado no sentido de desviar-se do bem (Ez 18.24,26), mas também é usado no sentido de desviar-se do mal (Is 59.20; Ez 3.19).
O verbo nicham tem um aspecto emocional que não se percebe na palavra shuv, mas ambos os termos transmitem.
O Novo Testamento emprega epistrepho no sentido de voltar-se para Deus (At 15.19; II Co 3.16) e metanoeo/metanoia para a ideia de arrependimento (At 2.38; 17.30; 20.21; Rm 2.4). Utiliza-se de metanoeo para expressar o significado de shuv, que indica uma ênfase à mente e à vontade. Mas também é certo que metanoiano Novo Testamento, é mais que uma mudança intelectual. Ressalta o fato de uma reviravolta da pessoa inteira, que passa a operar uma mudança fundamental de atitudes básicas.

II - ARREPENDIMENTO E CONFISSÃO DE PECADOS
A Lei do Senhor foi abundantemente lida e o resultado foi um genuíno avivamento, que começou com um genuíno arrependimento. Já fazia um bom tempo que os estatutos do Senhor não eram observados (Ne 8.17). O próprio cativeiro havia sido causado pela apostasia e imoralidade da nação judaica. Quando eles desprezaram a Lei de Deus e as mensagens proféticas, o resultado foi o fracasso, o cativeiro, a vergonha e a ruína (II Cr 36.15-21). O salmo 137 retrata bem o quadro espiritual e emocional do povo após a queda (Sl 137). Já o salmo 126 traz uma realidade totalmente oposta. Os moradores de Judá haviam sido libertos e a alegria se espalhara por toda a nação.
O avivamento, porém, ainda estava por vir. Além da antiga dívida para com Deus, os setenta anos de convívio com os ímpios babilônios trouxeram prejuízos à sua identidade de “nação santa e peculiar dentre todos os povos” (Ex 19.5). Após a reconstrução do templo e dos muros, o povo foi reunido para ouvir a Palavra do Senhor. Como Ela é viva, eficaz e penetrante (Hb 4.12); ao ouvi-La durante seis horas consecutivas, o povo se prostrou arrependido e, durante mais seis horas, confessaram os seus pecados (Ne 9.3).
Interessante que aquele avivamento foi um retorno à experiência do Sinai (Ex 19), e uma rememoração de tudo quanto o Senhor havia operado na trajetória de Israel. Eles se arrependeram de sua ingratidão para com o Deus que tudo houvera provido até então. Vejamos alguns pontos daquela maravilhosa oração:
  • Reconhecimento de Deus como o Todo-Poderoso e Criador (Ne 9.5,6);
  • Lembrança das promessas feitas a Abraão (Ne 9.7,8);
  • Lembrança da misericórdia de Deus em relação a Israel no Egito (Ne 9.9);
  • Lembrança dos sinais e prodígios operados por Deus no Egito (Ne 9.10-12);
  • Lembrança da Glória no Sinai (Ne 9.13);
  • Lembrança das provisões do Senhor (Ne 9.15);
  • Lembrança da dureza de coração de seus antepassados (Ne 9.16-18);
  • Lembrança da longanimidade de Deus (Ne 9.19-21);
  • Lembrança das vitórias nas guerras em Canaã (Ne 9.22-25);
As terríveis oscilações espirituais e suas consequências (Ne 9.26-29).
Diante dessa retrospectiva de pecados e dureza de coração de Israel e, misericórdias e longanimidade de Deus, o povo prostrou-se arrependido. Interessante que não é apenas o juízo do Senhor que nos leva ao arrependimento, a sua benignidade também tem esse poder (Rm 2.4).
O verdadeiro arrependimento move o coração de Deus, e é sempre acompanhado de confissão de pecados. Foi assim com o salmista Davi (Sl 51.10-12; 16,17); com os ninivitas (Jn 3.5-10) e com o Filho Pródigo ( Lc 15.17-24). Naquela ocasião não foi diferente. Devido o sincero arrependimento, o Senhor lhes perdoou os pecados. Interessante que isso já havia sido predito quando da consagração do Templo na época do rei Salomão (II Cr 6.36-39). O que aconteceu com Judá é o que acontece com todos quantos se arrependem de seus pecados, mesmo na atual dispensação. Traçando um paralelo entre II Cr 7.14 e At 3.19, chegamos ao seguinte esquema:
ARREPENDIMENTO->CONVERSÃO->PERDÃO->REFRIGÉRIO

III - SANTIDADE, O FRUTO DO ARREPENDIMENTO
Notamos que a atitude inicial dos judeus quando se arrependeram de seus maus caminhos foi afastar-se dos povos pagãos. Entenda-se por pagão toda e qualquer pessoa que não crê no Deus Todo-Poderoso somente, e na sua Palavra como única regra de fé e prática. Eles se apartaram daqueles cuja religião, cultura, estilo de vida, ética, cosmovisão destoava totalmente daquilo que o Deus de Israel implementara para o seu povo. Não esqueçamos do conceito básico de santidade, a saber: separadopor e consagrado a. Desde os primórdios que essa era a proposição de Deus para o seu povo:
  • Quando de seu chamado, Abraão foi convidado a se separar do paganismo de sua terra (Gn 12.1);
  • Certa feita, Jacó precisou retirar de sua casa todo e qualquer elemento estranho à santidade de Deus (Gn 35.1,2);
  • O próprio Deus afirmou de forma solene, no Sinai, que Israel seria separado de todas as nações (Ex 19.5);
  • O Senhor preveniu os filhos de Israel a não se misturarem com as nações vizinhas (Dt 7.1-4);
  • O erro do grande rei Salomão foi não ter se apartado das nações ímpias, que estavam ao seu redor (I Rs 11.1-6);
  • As dez tribos caíram por terem se misturado às práticas pecaminosas das nações pagãs (II Rs 17.7-18);
  • Judá havia caído por não preservar a santidade ao Senhor (II Cr 36.15,16).
Quando fizeram uma análise histórica, perceberam que o fracasso de Israel sempre esteve ligado ao abandono da santidade. A história de Israel, na realidade, é a repercussão daquilo que foi proferido nos montes Ebal e Gerizim (Dt 28). As bênçãos acompanham uma vida de santidade e as maldições, uma vida de pecaminosidade. Por isso, os judeus imediatamente se apartaram dos ímpios, para desfrutarem das bênçãos do Senhor.
A exposição incansável da Palavra de Deus gera santidade no povo. Isso também ocorreu nos dias do rei Josias. Depois do ensinamento da Lei, o rei iniciou uma reforma geral em Israel. Tudo o que não agradava ao Senhor foi banido e o povo retornou à santidade.
É impossível haver um verdadeiro arrependimento sem que haja também uma mudança total de vida por parte do arrependido. Em todos os casos citados, a Palavra de Deus foi proferida, o pecador sentiu o peso do pecado, arrependeu-se, e mudou de atitude. Baseados nas palavras do apóstolo Paulo em II Co 7.9,10, podemos entender melhor esse princípio. Vejamos:
EXPOSIÇÃO DA PALAVRA
->
TRISTEZA SEGUNDO DEUS
->
ARREPENDIMENTO
->
MUDANÇA DE VIDA


CONCLUSÃO
Concluímos, portanto, que o arrependimento é imprescindível para se alcançar o perdão de Deus e, consequentemente, para a renovação do pacto, da aliança divina. De nada teria servido toda a restauração estrutural da cidade de Jerusalém se ela não viesse também acompanhada da restauração espiritual, que teve como ponto de partida o arrependimento.

Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação

sábado, 5 de novembro de 2011

Lição 6-Neemias Lidera um Genuíno Avivamento


Texto Áureo
“E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação […] E leu nela […] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne 8.2,3). - A primeira vez que surge o nome e Esdras, contemporâneo de Neemias e que havia chegado ali treze anos antes, vindo da Babilônia, como sacerdote e escriba, era o líder religioso, enquanto Neemias era o líder político, o tirsata (governador).
Verdade Prática
Somente o genuíno ensino da Palavra de Deus é capaz de produzir um verdadeiro avivamento.
Leitura Bíblica em Classe
Neemias 8.1-3,5,6,9,10.
Objetivos
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- SABER que um genuíno avivamento só pode ocorrer à partir do estudo e da prática da Palavra de Deus;
- COMPREENDER que a Bíblia é a inerrante e infalível Palavra de Deus, e
- CONSCIENTIZAR-SE de que o genuíno avivamento ocorre quando há entendimento da Palavra de Deus.
Palavra-chave
AVIVAMENTO - retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito.

Comentário
(I. Introdução)
O livro da Lei de Moisés, lido por Esdras, o sacerdote e escriba, era provavelmente o Pentateuco, os cinco primeiros livros da nossa Bíblia, atribuídos à autoria de Moisés. Naquela época, um escriba era uma combinação de advogado, tabelião, estudioso e consultor. Os escribas estavam entre as pessoas mais educadas; por esta razão eram mestres. O povo ouviu atentamente a Esdras enquanto lia a Palavra de Deus e tiveram suas vidas mudadas. Este fato foi real para aqueles judeus tanto quanto o é para nós hoje, no entanto, devemos ter cuidado, pois, ouvir a Palavra de Deus tão freqüentemente pode trazer insensibilidade às suas palavras, e nos deixar imunes aos seus ensinos. Para que isso não aconteça, devemos ouvir cuidadosamente cada versículo e orar para que o Espírito Santo nos ensine a aplicar o seu conteúdo à nossa vida prática. Quando observamos a história da fé judaica e cristã, quanto aos avivamentos ocorridos, temos que nenhum deles aconteceu sem uma volta às Escrituras. Não há avivamento verdadeiro e duradouro sem um retorno à pureza da Palavra, um ensino por pessoas autorizadas e cheias do Espírito Santo, aptas a ensinar sem mistura. Nosso meio pentecostal acostumou-se a confundir avivamento com movimento, avivamento com oração, jejuns, vigílias, montes… quando na verdade, o verdadeiro avivamento começa no culto de ensino, na escola dominical. Avivamento sem ensino e aplicação da Bíblia Sagrada não passa de um mero movimento religioso; não trará modificação de hábitos, restauração de vidas. Hoje, temos a responsabilidade de reavaliarmos nosso papel e responsabilidade para um real avivamento nesses dias de frieza, mistura e pseudo-ensino. Aproveite! Boa Aula!

(II. Desenvolvimento)
I. O POVO SE AJUNTOU NA PRAÇA PARA OUVIR A LEITURA DA LEI
1. Reunidos para ouvir a Lei. Quando Neemias chegou a Jerusalém, encontrou mais do que apenas paredes desmoronadas; encontrou vidas destruídas. Neemias decide então reunir o povo para ouvir o sacerdote e escriba Esdras fazer a leitura do livro da Lei do Senhor. O dia escolhido para este ato de restauração espiritual foi o primeiro do sétimo mês - Tishri (8.2), era o tempo da celebração da festa das trombetas - Yom Teruah (Dia do soprar das trombetas, o “Shofar” - chifre de carneiro; dia do grito ou gritaria) (Nm 29.1-6). Conforme está em Levítico. 23.23-25 e em Números 29.1: “Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada ao SENHOR“. Esta é a única festividade que é celebrada num dia de lua nova, por isso também é conhecida como a Festa da Lua Nova (Rosh Shodesh): “Tocai a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solenidade. Porque isto é um estatuto para Israel, e uma lei do Deus de Jacó” (Sl 81.3-4). Nesse dia, Neemias fez o povo assentar-se para a leitura publica da lei, num contexto de ratificação ou renovação da aliança (Êx 24.7; Js 8.30-35; 2Rs 23.1-3). A lei não foi apenas lida, mas também explicada, para garantir que o povo compreendesse bem o seu significado. Acredita-se que tenha havido uma tradução simultânea do hebraico, língua das Escrituras Judaicas, para o aramaico, língua falada pelo povo. Imagine quão belo foi este dia! O sacerdote lendo a Lei no doce idioma hebraico, e outros traduzindo simultaneamente à congregação sentada, que de emoção chorava e louvava ao Senhor! O lugar para esse evento não poderia ter sido outro, a “Porta das Águas”: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7.38). Um dos símbolos do Espírito Santo na Bíblia, é a água. Toda nossa vida cristã depende dEle; Ele nos gerou em Cristo efetuando a obra de regeneração; Ele nos foi dado como o outro ‘Ajudador’ ou ‘Consolador’. Como Jesus afirma: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.16-17). Um poderoso avivamento na história de Jerusalém ocorreu aqui (cap. 8), depois de reunirem-se para ouvir a leitura do livro da Lei, reunir-se-iam para confessar os seus pecados (9.1,3). A leitura da Palavra de Deus produz arrependimento e confissão de pecados!
2. O povo estava atento à leitura da Lei. De fato, o que ocorreu nesse episódio não foi apenas uma simples leitura, mas um curso intensivo, durante sete dias, seis horas por dia (Ne 8.3,18). Exaustão? Com alegria ouviam e deixavam-se transformar. O resultado foi choro e arrependimento; a multidão sensibilizada pelo que Deus estava falando aos seus corações ouve a ordem: “Nada de tristeza e de choro!”: podem sair, e comam e bebam e repartam com os que nada têm preparado“. A sequência do relato (v.12) nos mostra que o povo celebrou com grande alegria, pois agora compreendiam as palavras que lhes foram explicadas.
3. O culto de doutrina. “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1); Paulo clama aos destinatários de sua carta que apresentassem a Deus um culto racional; o conhecimento da palavra de Deus exige uma aplicação prática. A maioria das cartas do NT, como é o caso de Romanos, contém uma série de aplicações práticas no final, depois de estabelecer a base doutrinária. Como enfatiza Tiago: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes” (Tg 1.22). Os crentes primitivos diariamente reuniam-se no templo, compartilhavam suas refeições com alegria e simplicidade de coração, louvavam a Deus e eram simpáticos a todos. Todos os dias havia conversões, e a Igreja ia crescendo. O culto ocupava lugar central na vida daqueles irmãos. Nesse culto havia ensino, comunhão, santa ceia e orações. Foi por meio desse culto que a igreja se edificou e se fortaleceu. Culto coletivo e familiar era prática constante daquela igreja primeva. Reunirmo-nos para cultuar e para aprender a Palavra é uma necessidade tão grande para a alma como o alimento é para o corpo. Este é o nosso culto racional! O salmista expressa seu amor pela casa de Deus e declara a felicidade dos que vão ao templo, cheios de fé para adorar, louvar e orar ao Senhor (Sl 84.2-4,10). Talvez tenhamos deixado as preocupações modernas influenciar demais nossa vida com Deus de maneira que, o tempo já não permite reunirmo-nos para ouvir a Palavra e o culto chamado “de Doutrina” perdeu sua importância e como resultado, o crente está perdendo a noção da importância das reuniões de estudo. Ao deixar de ir ao culto, qualquer que seja o motivo, trocar a Escola Bíblica Dominical por outra atividade qualquer, demonstra o desprezo pelo culto congregacional. Na verdade, estamos sendo reprovados como despenseiros por exercermos uma má administração do nosso tempo. Quem ama a Deus também ama a sua Palavra e nela medita dia e noite (Sl 1.2; 119.97).

SINOPSE DO TÓPICO (I)
O povo de Deus reuniu-se para ouvir atentamente a Sua Palavra.

II. O ENSINO BÍBLICO
1. Homens preparados para o ensino (Ne 8.7). Quando nos entregamos a Deus, assumimos um compromisso de sermos fiéis a ele. Para cumprir a nossa obrigação de obedecer tudo que Jesus tem nos ordenado (Mt 28.18-20), precisamos estudar para conhecer bem a palavra dele. Paulo disse a um irmão mais novo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15). Pedro escreveu a discípulos espalhados em vários lugares: “…santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós…” (1Pe 3.15). Ser preparado para falar a outros faz parte da nossa devoção ao Senhor. Paulo usou uma linguagem que deve chamar a nossa atenção quando disse a Timóteo: “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra”(2Tm 2.21). Cabe ressaltar que o requerido aqui não é o repetir, explicar e defender regras de igrejas ou doutrinas decididas por grupos de homens. Toda denominação hoje possui o seu manual de regras, fé e prática, que em geral, são ‘enfiados goela abaixo’ dos membros por pregadores e professores que obrigatoriamente têm que seguir a linha doutrinária da denominação, ou perdem seus cargos. Esse terror de ser ‘excomungado’ tem contribuído para muitas afirmações e ações erradas (Jo 9.22; 7.13; 12.42). O crente fiel deve compreender que é melhor ser expulso pelos homens do que ser rejeitado por Deus (Lc 6.22). Oremos para que o Senhor conceda à sua Igreja homens e mulheres aptos para o ensino, quer por palavras, quer por ação.
2. O líder deve ser apto para o ensino. Além do pastor, há pessoas, na igreja local, que foram dotadas por Deus com habilidades para o ensino, conforme escreve Paulo: “Se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b). Paulo reconhece a grande variedade e a natureza prática desses dons, bem como o entrelaçamento dos dotes naturais com os dons espirituais. Este critério pressupõe conhecimento da verdade e de Deus, e a habilidade para comunicar tal verdade. Não é raro encontrarmos crentes que possuem o talento da comunicação, mas doutrinariamente não têm muito para dizer e de igual modo, vemos crentes que possuem sólido conhecimento, mas não conseguem transmiti-lo a ninguém. Em ambos os casos, eles estão desqualificados para esse ofício. Habilidade para ensinar pressupõe conhecimento da Bíblia e do Deus da Bíblia, e a habilidade para comunicar tal conhecimento, aliás, um dos primeiros requisitos para se exercer o santo ministério é justamente a aptidão para o ensino (1Tm 3.2).
3. A Bíblia é a Palavra de Deus. As condições alarmantes de hoje causam a muitos homens e mulheres um sentimento profundo de inquietação. Ao mesmo tempo, muitos deles sentem uma verdadeira fome espiritual. Claramente, “eles sentem, em seu interior, a falta de tempo e espaço para que, por si mesmos, possam se encontrar” (Catherwood). Eles admiram-se da realidade de Deus e da Bíblia. Afinal de contas haverá respostas para nossas perguntas? “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12) (1). A Bíblia é, de fato, a Palavra de Deus. É indispensável para haver avivamento real que o crente dedique-se ao estudo sistemático e busque aplicar e obedecer fielmente as Sagradas Escrituras.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
O líder deve saber ensinar a Palavra de Deus e ter a consciência de que ela é inerrante e infalível.

III. O ENTENDIMENTO DA PALAVRA GEROU O AVIVAMENTO
1. O ensino significativo. “E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse” (Ne 8.8). Enquanto Esdras lia as Escrituras do texto hebraico, os levitas iam traduzindo e explicando o significado em aramaico, a língua falada pelo povo. O “povo estava no seu lugar”, em pé, em sinal de reverência à Palavra de Deus. Essa leitura, interpretação e até o fato de ficar de pé mais tarde se tornaram parte do culto nas sinagogas e, também, em algumas igrejas cristãs hoje(2). O ato de explicar a leitura devia-se a duas coisas: o povo desconhecia a Lei e o a língua na qual esta Lei estava escrita já não era compreendida pela maioria da população. Exemplo maravilhoso para ser copiado e aplicado hoje, quando muitas vezes ministramos nossas aulas utilizando a técnica de palestra, um monólogo em que o preletor procura antecipar as dúvidas dos ouvintes e as esclarece. Muito mais eficaz é o estudo bíblico em que existe a oportunidade para ouvir as perguntas dos que se encontram presentes e explicar pessoalmente o que a Bíblia diz. Assim fez Esdras com a ajuda dos levitas, pois o auditório era muito grande. Cada texto exposto, fez com que todos compreendessem o real significado da Palavra de Deus. Entendendo-a, o povo chorou. Talvez - e aqui eu gostaria de convidar a uma reflexão - um dos motivos do esvaziamento de nossas escolas dominicais seja a forma de ensino utilizada e o despreparo da equipe responsável.
2. “Comei as gorduras, e bebei as doçuras” (Ne 8.10). Esdras e Neemias despediram o povo, ordenando a todos que fossem embora e se alimentassem do melhor que tivessem e que repartissem com os que não tinham nada. Parte importante da festa era repartir, oferecendo aos mais humildes a oportunidade de poder celebrar, pois “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (At 20.35). A Palavra de Deus ensina-nos a respeito do socorro que se deve prestar aos mais carentes: “Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Is 1.17). Não podemos ser omissos em relação ao sofrimento alheio (Tg 4.17).
3. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8.10). O povo judeu estava desfrutando de grande alegria. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a alegria é apresentada como uma marca que consiste no indivíduo e na comunidade. Não simplesmente uma emoção, mas questão de qualidade de vida. Não deve ser uma conseqüência isolada ou ocasional da fé, mas deve fazer parte integrante do relacionamento que o crente tem com Deus. A plenitude da alegria vem quando há um sentimento profundo da presença de Deus. ‘O contexto da passagem de Ne 8.10 foi um dos momentos mais marcantes na história do povo de Israel. Após muitos anos de exílio da Babilônia, o povo pôde voltar à sua terra, reconstruir os muros da cidade de Jerusalém e resgatar as tradições perdidas. Para isso, contou com as lideranças de Esdras e Neemias. Houve uma comoção geral quando o livro da Lei foi encontrado. Num primeiro instante, as pessoas choraram de alegria e depois foram orientadas pelos líderes do povo que fizessem festa, que se alegrassem. O povo entendeu essa orientação e promoveu uma grande festa para celebrar tudo o que estava acontecendo, mas principalmente pelo resgate da presença de Deus, consubstanciado pelo achado do livro da Lei. O mote para que fizessem festa foi de que “A Alegria do Senhor é Vossa Força!” Buscar a alegria e vivenciá-la é a meta de todo ser humano. Não há ninguém, em sã consciência, que não afirme que o maior objetivo de sua vida seja “ser feliz”. Nesta busca cometem-se os maiores absurdos, porque vale tudo para se conseguir a experiência da alegria. Talvez o maior exemplo desse absurdo seja a festa mais popular do Brasil: o carnaval. Todo o frenesi que se dá em torno do carnaval tem como objetivo promover a alegria. Não é segredo para ninguém que tudo acaba em cinzas na quarta-feira. Além dos instrumentos utilizados para promover a festa - que não são os mais aceitáveis -, ainda se tenta produzir a alegria de fora para dentro, do exterior para o interior. A alegria não é causa, é efeito. A festa do carnaval pode produzir muita coisa, mas a verdadeira alegria ela não produz. A verdadeira alegria é um estado de espírito, ou como o apóstolo Paulo chamou, é “fruto do Espírito”. Não é uma questão simplesmente religiosa, mas é o resultado da manifestação da Presença de Deus a partir do íntimo das pessoas, que se propaga coletivamente criando um ambiente de comoção que vai do choro ao riso e vice-versa. A experiência de se vivenciar a Alegria que vem do Senhor resulta, com certeza, em festas e celebrações, que são formas de se mostrar o sentimento que existe. A verdadeira alegria não fica escondida e nem camuflada; ela certamente se evidencia e é a grande força daquele que Teme ao Senhor!’ (3)

SINOPSE DO TÓPICO (III)
O genuíno avivamento ocorre quando a Palavra de Deus é estudada e compreendida pelos seus servos.

(III. Conclusão)
O primeiro resultado mencionado a respeito da leitura da Lei é que ela causou muita tristeza, pois tomaram consciência de que a Lei de Deus havia sido infringida. ‘Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei’ (Ne 8.9). Mas essa tristeza não durou muito tempo: ‘Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados‘ (Mt 5.4). Uma comunidade sem alegria é uma comunidade derrotada. Uma das principais razões da ausência de alegria é a presença do pecado; David, depois de pecar, orou ao Senhor: - “Lava-me completamente do meu pecado… Purifica-me com hissopo… Esconde a Tua face do meu pecado… Cria em mim um coração reto e puro…Torna a dar-me a alegria da Tua salvação“. Há uma necessidade urgente de reavivamento em nossos meio; o genuíno avivamento ocorre quando a Palavra de Deus é estudada e compreendida pelos seus servos. “Não se pode esperar nenhum movimento significativo em direção a Deus enquanto as coisas permanecerem como estão” (4).

“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” (1Jo 3.18)
N’Ele, que me garante: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),
Francisco A Barbosa, auxilioaomestre@bol.com.br

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lição 5-A Conspiração dos Inimigos contra Neemias


Sucedeu mais que, ouvindo Sambalate, Tobias, Gesém, o arábio, e o resto dos nossos inimigos que eu tinha edificado o muro e que nele já não havia brecha alguma, ainda que até este tempo não tinha posto as portas nos portais, (Ne 6.1)
Um inimigo é aquele que odeia alguém ou algo, e que procura sempre prejudicá-lo. Todos nós estamos passíveis de termos inimigos. A obra de Deus tem inimigos. Por bem que você faça, por íntegro que seja, sempre haverá aqueles que movidos por inveja, juízo equivocado, antipatia, cobiça ou influência malígna desejarão e buscarão sempre lhe fazer o mal.
INIMIGOS DECLARADOS
Há inimigos sem cerimônia alguma. Fazem questão que todos saibam o quanto te odeiam. As palavras e ações contra a tua vida são claras e públicas. A campanha contra o teu serviço prestado ao Reino de Deus é aberta. Nem todos os inimigos querem o teu lugar. Eles desejam apenas ver a tua derrota, o teu fracasso, a tua ruína e destruição. Os inimigos declarados nos oferecem uma vantagem, a de saber quem são e onde estão.
INIMIGOS CAMUFLADOS
Essa classe de inimigos é terrível, pois não se assumem como inimigos. Os inimigos camuflados fazem festa pra você, te recebem sempre com um sorriso largo, te honram publicamente, te abraçam, fazem juras de fidelidade, mas, no íntimo, te odeiam e não te suportam.
Os inimigos camuflados são maliciosos. Estão sempre por perto em busca de alguma vantagem pessoal: um cargo, um privilégio, dinheiro, benefícios, credibilidade, etc.. Enquanto assim agem, estão sempre envolvidos numa nova conspiração para tentar te derrubar. São cínicos, hipócritas, falso, mentirosos, covardes e diabólicos.
CONSPIRAÇÃO
Sambalate e Gesém enviaram a dizer: Vem, e congreguemo-nos juntamente nas aldeias, no vale de Ono. Porém intentavam fazer-me mal. (Ne 6.2)
Conspirar é tramar ou maquinar algo contra alguém. Os inimigos da obra de Deus e de Neemias tentaram desviá-lo do seu projeto e trabalho. Kidner (2006, p. 107-108) comenta que:
A sugestão do vale de Ono era plausível, porque estava aproximadamente equidistante de Samaria e de Jerusalém. Ao mesmo tempo, estava para Neemias mais de um dia de viagem da sua cidade, e (conforme indica Brockington) bem no limite do seu território ao noroeste, formando fronteira com os distritos de Samaria e de Asdode. Visto que estas duas regiões eram histis (cf. 4.2, 7) o plano cheirava traição. na melhor das hipóteses, a viagem teria desperdiçado dias preciosos; portanto, de modo bastante sábio, baseou sua recusa nisto, e não nas suas suspeitas. Alías, a tradução familiar: ‘estou fazendo grande obra’, talvez pareça ter um gosto de louvor-próprio. O sentido é melhor transmitido na, e.g., NEB: ‘Tenho trabaho importante em mãos,’ ou de modo ainda mais objetivo: ‘… uma tarefa enorme…’
Barber (2003, p. 87) descreve o episódio da seguinte forma:
Este convite, por carta, é uma medida muito astuta. Sua possibilidade é mortal. Os opositores de Neemias estão dizendo: “Vamos ser amigos. Tivemos nossas divergências no passado, mas agora você conseguiu o que queria - já construiu o muro de Jerusalém. Não podemos negar o seu direito de liderar os judeus como você acha melhor. Quer gostemos, quer não, somos vizinhos; temos de viver uns com os outros. Agora que o muro está pronto, é hora de uma conferência de paz. Escolha uma das vilas da planície de Ono. Lá poderemos reunir-nos e resolver nossas diferenças, planejando uma coexistência pacífica.” Tudo isso parece muito magnânimo. O convite promete uma resolução amigável das diferenças de muitos anos. Parece ainda mais razoável porque se sabe que os judeus estão em aperto, cansados e sofrendo pela fome. A “conferência” parece oferecer uma trégua, e certamente será vista pelos moradores de Jerusalém como uma alternativa aceitável à apoquentação. Qual o líder, com as pressões sociais dos cidadãos sobre os seus ombros, como também a responsabilidade militar de proteção da cidade, que não atenderia um convite assim tão aparentemente bondoso? Mas todos esses supostos pontos positivos deixam de lado um fato importante: até que ponto se confia no inimigo quando ele aparece repentinamente com um “ramo de oliveira” na mão? Os historiadores se lembrarão de que a mesma espécie de coisa aconteceu quando o Papa prometeu salvo-conduto a João Huss, como também tratamento justo, se ele apenas fosse à Conferência de Constança. Tais promessas não impediram que Huss fosse preso e queimado no tronco.
Os líderes da obra de Deus na atualidade precisam estar atentos diante de alguns convites para reuniões e conferências, que são verdadeiros laços e armadilhas de inimigos da obra que se fingem de amigos, entre os tais estão os políticos corruptos, que só buscam o próprio interesse, e que só aparecem repentinamente às vésperas de um novo pleito eleitoral, prometendo a terra (e se possível até o céu) para pastores e igrejas. Lopes (2006, p. 103), cita Charles Spurgeon, que nos adverte:
Se os reis vos convidarem para serdes ministros de Estado, não vos deixeis seduzir, deixando a vossa posição sublime de embaixadores de Deus.
Pregadores e pastores (e cada vez mais) trocam ou dividem o seu chamado com o sedutor poder da política secular, onde boa parte acaba se envolvendo em esquemas de corrupção. Acabam desmoralizados e reprovados como políticos e obreiros.
E da mesma maneira enviaram a mim quatro vezes; e da mesma maneira lhes respondi. (Ne 6.4)
Quando as tentativas de entreter Neemias falharam, os inimigos mudaram de estratégia. Partiram para por em dúvida os reais propósitos do servo do Senhor:
Então, Sambalate, da mesma maneira, pela quinta vez, me enviou o seu moço com uma carta aberta na sua mão, e na qual estava escrito: Entre as gentes se ouviu e Gesém diz que tu e os judeus intentais revoltar-vos, pelo que edificais o muro; e que tu te farás rei deles segundo estas palavras; (Ne 6.5-6)
É sempre assim. Quando não podem atacar a objetividade das nossas realizações, os nossos inimigos (de fora e de dentro) apelam para colocar em dúvida a subjetividade de nossas intenções. Quem ainda não sofreu, prepara-se para sofrer com calúnias do tipo “ele está querendo é o seu lugar”, “o que ele quer é aparecer”, “acho que ele está tramando algum golpe”, etc.
Acusaram Neemias de “contratar” ou “por” profetas em Jerusalém para fazer “campanha” em seu favor, num suposto interesse em se tornar rei em Judá:
e que puseste profetas para pregarem de ti em Jerusalém, dizendo: Este é rei em Judá. Ora, o rei o ouvirá, segundo estas palavras; vem, pois, agora, e consultemos juntamente. (Ne 6.7)
No caso de Neemias, a acusação não procedia. Ele, sabiamente, a negou abertamente:
Porém eu enviei a dizer-lhe: De tudo o que dizes coisa nenhuma sucedeu; mas tu, do teu coração, o inventas. (Ne 6.8)
Acontece que usar profetas para legitimar interesses pessoais era, e ainda continua sendo prática corriqueira entre o povo de Deus. Posso citar aqui dois exemplos. O primeiro é o de alguns televangelistas que no desespero de pagar os seus horários na televisão e de manter os seus impérios pessoais, contratam profetas para anunciar milagres financeiros com base em semeaduras destituídas de pudor e de fundamentação bíblica. No final, o televangelista e o falso profeta racham os ganhos da semeadura entre si. Um outro exemplo, é o de líderes que para se manterem ou conquistarem cargos e postos (tronos e poderes), convidam pregadores-profetas para legitimarem suas ambições. Há ainda quem recorra à profecia de encomenda, contando com o apoio dos profetas ou profetisas da própria congregação.
O termo “profeta” deriva-se do hebraico nabhi (aquele que foi chamado, aquele que foi nomeado) e ocorre cerca de 309 vezes na Bíblia. O termo é usado tanto para se referir aos verdadeiros e aos falso profetas. A primeira ocorrência de nabhi está em Gênesis 20.7, onde Abraão é chamado de profeta. A segunda ocorrência acontece em Êxodo 7.1, que diz: “Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por Deus sobre faraó; e Arão, teu irmão, será o teu profeta”. É exatamente neste sentido (porta-voz) que o termo é utilizado para aqueles que falam em nome de Deus.
O termo grego para “profeta” é prophetes. Trata-se de um substantivo composto da raizphe (dizer, proclamar), do prefixo pro (antes, de antemão). Embora possa ter o sentido de “aquele que prediz”, na literatura antiga a combinação do prefixo pro com os verbos para “falar” não possui a idéia de indicar o futuro. Dessa forma, profeta pode significar “o que proclama abertamente”, “o que proclama em alta voz”, “o que declara abertamente”, “o que denuncia abertamente” etc.
Unindo os termos do Antigo e do Novo Testamento, pode-se entender “profeta” como alguém nomeado por Deus para proclamar abertamente e claramente a sua palavra. Dessa forma, a autoridade do profeta reside naquele que o nomeou e na fidelidade para com a mensagem recebida.
OS FALSOS PROFETA
Os falsos “profetas”, ou seja, aqueles que dizem falar em nome de Deus, são reconhecidos pela ausência de frutos (caráter cristão e compromisso com Deus) em suas vidas, ou pela má qualidade dos mesmos (Mt 7.15-20). Eles geralmente;
- Falam para agradar seus ouvintes ou “patrões” ( I Rs 22.1-6 );
- Falam sem serem autorizados por Deus ( Ez 13.1-9 );
- Suas profecias tendem a afastar o povo da Palavra de Deus ( Dt 13.1-4 );
- Sempre estão procurando tirar vantagens dos seus “dons” em benefício e causa própria ( Nm 22.7; Jd 11 );
Os falsos profetas agem também no que podemos chamar de “profecia pessoal”, e nesse âmbito eles fazem e desfazem namoros, noivados e casamentos, orientam líderes em decisões na igreja, atendem os “clientes” em relação às suas decisões nas diversas esferas da vida, são considerados em alguns lugares com mais autoridade do que o pastor da igreja, fazem e acontecem, pintam e bordam.
Observe algo interessante nos textos bíblicos abaixo:
Sabe que, quando esse profeta falar em nome do Senhor, e a palavra de se não cumpri, nem suceder, como profetizou, esta é a palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenha temor dele. (Dt 18.22)
Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis. (Dt 13.1-4)
Perceba que um falso profeta não é apenas alguém que fala (ou prediz) algo em nome de Deus e que este algo não acontece. O segundo texto deixa claro que um profeta ou sonhador pode anunciar um sinal ou prodígio, e que isto pode vir a acontecer, mas que tal fato não autentica a integridade e a autoridade do profeta, nem a legitimidade da profecia.
Para discernir o falso do verdadeiro a pergunta chave é: Juntamente com a profecia, há um cuidado do profeta em se manter fiel ao Deus da Palavra e à Palavra de Deus?
Lopes (Ibid., p. 103-106), percebe no texto sete armas para vencer o inimigo. São elas:
- O discernimento espiritual (v. 2)
- A compreensão da importância da obra (v. 3)
- A prudência espiritual (v. 3)
- A firmeza de propósito (v. 4)
- A integridade pessoal (v. 6-8)
- Oração por fortalecimento (v. 9b)
CONCLUSÃO
Não deseje o mal, nem a morte de seus inimigos. Ame-os e ore para que eles se convertam a Deus (Mt 5.44). Não viva temeroso ou ansioso diante de suas tramas. Confie e descanse em Deus, que é aquele que nos guarda e protege. Ele cuida de nós. Nada acontece sem a sua permissão. Assim, não pare a obra, nem pare na obra:
E enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” (Ne 6.3)
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz. São Paulo: Vida, 2003.
KIDNER, Derek. Esdras e Neemias: introdução e comentário. São Paulo, Vida Nova, 2006.
LOPES, Hernandes Dias. Neemias: o líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2006.
Publicado no Blog do Pr. Altair Germano