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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Lição 1- O Surgimento da Teologia da Prosperidade
Texto Áureo: Rm. 9.20 - Leitura Bíblica: Lc. 12.13-21
INTRODUÇÃO
Testemunhamos, nessas últimas décadas, a expansão de um movimento teológico denominado de Teologia da Prosperidade. Ao longo deste trimestre estudaremos a respeito da prosperidade, a partir de uma perspectiva bíblica, diferentemente daquela apregoada por essa que poderia muito bem ser referida como Teologia da Ganância. Nesta aula, definiremos esse movimento, em seguida, apontaremos seus fundamentos, e, ao final, destacaremos alguns dos seus ensinamentos.
1. TEOLOGIA DA PROSPERIDADE: CONTEXTUALIZAÇÃO
A teologia, em si mesma, não é negativa, na verdade, todo discurso sobre Deus é uma teologia, é justamente essa a etimologia da palavra: Theos - Deus, e Logia - Discurso, portanto, toda discussão que trata a respeito de Deus, seja ela bíblica ou não é uma teologia. Em sentido amplo, qualquer pessoa pode muito bem ser considerado teóloga ou teólogo. Uma teologia bíblica, isto é, fundamentada na revelação, consoante ao exposto na Escritura, pode contribuir para a edificação da igreja. A teologia serve à evangelização e às missões, a fim de que possamos levar corretamente a mensagem da salvação, à apologética, a fim de confrontar os ensinamentos contrários à Palavra de Deus, à edificação do Corpo de Cristo, na medida em que esse cresce na doutrina, no conhecimento e na graça do Senhor Jesus. Mas nem toda teologia é bíblica, existem muitos movimentos teológicos heterodoxos, que não se coadunam com os princípios bíblicos. A teologia bíblica parte do pressuposto de que Deus se revelou (Hb. 1.1,2) e que o Verbo se fez carne (Jo. 1.1,14), por esse motivo, podemos conhecê-LO. Para tanto, precisamos reconhecer que a Bíblia não é de particular interpretação (II Pe. 1.20) e que não pode ser lida sem que se atente para determinados princípios hermenêuticos. A Teologia da Prosperidade (ou Teologia da Ganância) utiliza a Bíblia para reforçar os interesses dos líderes, por isso, não se trata de uma teologia exegética (que busca o sentido no texto), mas eisegética (que leva o sentido para o texto). A Teologia da Prosperidade utiliza textos isolados e descontextualizados da Bíblia para defender que os filhos do Rei não podem passar por sofrimento ou privação financeira. Seus adeptos argumentam que os sofredores e os pobres são infiéis, e que não estão determinando ou requerendo de Deus o que lhes é de direito. A espiritualidade do cristão costuma ser atrelada aos bens materiais que consegue adquirir, por outro lado, a ausência deles costuma ser associada à infidelidade na doação de ofertas, na maioria das vezes, exigidas acima da capacidade financeira das pessoas que frequentam suas igrejas.
2. OS FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
O avô da Teologia da Prosperidade foi Emanuel Swedenborg (1688-1772), um importante cientista sueco. Em 1973 ele publicou um livro intitulado Infinite [Infinito], posterioremente, lançou outro com o título de Heavenly Secrets [Segredos Celestiais], no qual advoga ser o único revelador do Senhor. Ele defendia que havia dialogado um ano com Paulo e conversado várias vezes com Lutero, como se isso não fosse bastante, que havia estado com Moisés. Muitos dos seus escritos foram distribuídos e amplamente lidos nos Estados Unidos, e acabaram influenciando pessoas como Ralph Waldo Trine, Warren Felt Evans e outros que fundaram o movimento Novo Pensamento. O mentor intelectual desse movimento foi Phineas Quimby (1802-1866), que, através da hipnose, desenvolveu a ideia de curas através da mente. A base da sua teoria era a de que a mente tem poder e habilidade para criar e influenciar, desse argumento surgiria a Confissão Positiva, isto é, a teologia da determinação, e a crença de que as palavras têm poder para realizar o que bem se deseja. Um dos seguidores de Quimby foi Warren Felt Evans (1817-1889), que se tornou o escritor responsável pela divulgação da ideias de Quimby através dos seus livros. O mais representativo escritor desse movimento, no entanto, seria Ralph Waldo Trine (1866-1958), através do qual o Novo Pensamento adquiriu popularidade. Alguns cristãos acabaram incorporando à doutrina bíblica aos pressupostos do Novo Pensamento, dentre eles, Norman Vicent Peale (1898-1993), pastor da Marble Collegiate Church, em Nova Iorque. Ele ficou conhecido pelo seu livro The Power of Positive Thinking [O Poder do Pensamento Positivo]. Mas a Teologia da Prosperidade, como a conhecemos atualmente, ganhou força através do Pastor E. W. Kenyon (1867-1948), sendo esse o responsável pela relação entre o Novo Pensamento e a Teologia da Prosperidade. Ele aderiu à Confissão Positiva, colocou o ser humano em posição elevada e passou a defender a Teologia da Prosperidade e da Saúde. Posteriormente, Kenneth Hagin (1917-2003) assumiu o posto de principal evangelista da Teologia da Prosperidade. Ele é o pai do movimento Palavra da Fé, movimento difundido no Brasil, por vários líderes eclesiásiticos, entre eles Valnice Milhomens. Alguns líderes neopentecostais (ou pseudopentecostais) aderiram a esse movimento, dentre eles, Edir Macedo, R. R. Soares e Valdomiro Santiago os quais, através da utilização da mídia, principalmente a televisiva, massificaram a Teologia da Prosperidade no país.
3. OS ENSINAMENTOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
A Teologia da Prosperidade, conforme se depreende desse relato histórico, foi importada dos Estados Unidos, e ainda é bastante popular naquele país. Atualmente é defendida por líderes como Joel Osteen, T. D. Jakes e Joyce Meyer. Muitas pessoas assistem pela TV os ensinamentos dessa teologia, mas não sabem o quanto ela destoa da ortodoxia bíblica. Trata-se também de um movimento bastante heterogêneo, isso porque cada pastor-celebridade apresenta determinadas especificidades em relação ao movimento. Os lideres da Teologia da Prosperidade costumam, em geral, têm uma visão deturpada de Deus. Alguns deles negam a doutrina da trindade, outros exageram, tal como Benny Hinn, que, a partir de uma suposta revelação, passou a defender que cada pessoa da divindade é triuna, resultando em nove pessoas distintas. A visão predominante de Deus na Teologia da Prosperidade é a de uma divindade sem soberania, isso porque seus líderes colocam o ser humano em primazia. Para eles o poder não está em Deus, mas no próprio ser humano, este, através do poder da confissão positiva, deve determinar, obrigar Deus a fazer o que deseja. A Teologia da Prosperidade acaba por supervalorizar o ser humano em detrimento de Deus. Ela inverte o papel do Criador e da Criatura, os seres humanos, e não Deus, é o centro do universo. Alguns deles, como Paul Crouch e Kenneth Copeland, advogam que o ser humano é deus ou que têm um deus dentro de si. A ênfase é posta na saúde e na riqueza, como explicita Oral Roberts, em um de seus livros, que Jesus nunca foi pobre, e , por conseguinte, nenhum cristão pode aceitar a pobreza. Robert Tilton vai mais além, argumentando que ser pobre é pecado, já que Deus promete prosperidade. Para incentivar os adeptos a alcançarem a prosperidade, eles os desafiam a darem bastante, às vezes, tudo o que têm, com promessas de que serão recompensados por Deus, em uma espécie de barganha. A visão de salvação deles também é equivocada, tendo em vista que o pecado é a pobreza, a redenção acontece quando alguém consegue enriquecer, negando, assim, a condição de pecado apresentada na Bíblia, e a necessidade de um Salvador. A morte de Jesus perde a razão de ser, por esse motivo, pouco se fala em arrependimento e novo nascimento, bem como em ser uma nova criatura.
CONCLUSÃO
A Teologia da Prosperidade ou da Ganância tem causado estragos ao movimento evangélico brasileiro. Isso porque muitos se fizeram pastores, outros por acharem pouco, se dizem bispos e apóstolos com o objetivo de extorquir os incautos. O culto às personalidades se tornou uma prática recorrente, as mesmas caras estão sempre na televisão, fazendo apelos, determinando e prometendo saúde e prosperidade. Eles negam a mensagem da cruz de Cristo, e, com ela, a possibilidade do cristão sofrer. A generalização da mídia acaba causando deturpações, pois as pessoas pensam que todos os evangélicos são iguais. Oramos ao Soberano Deus para que, através das próximas lições, possamos assumir uma posição apologética contra essa famigerada teologia, que nada tem de bíblica e que se opõe ao genuíno evangelho de Jesus de Cristo.
BIBLIOGRAFIA
HANEGRAAFF, H. Cristianismo em crise. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
JONES, D. W., WOODBRIDGE, R. S. Health, wealth & happiness: has the prosperity gospel overshadowed the gospel of Christ?. Grand Rapids, Kregel, 2011.
Publicado no blog Subsidio EBD
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
LIÇÃO 13- A INTEGRIDADE DE UM LÍDER
Neemias foi copeiro de Artaxerxes e governador de Jerusalém. Foi o reconstrutor da cidade de Davi, a cidade que passou mais de um século debaixo de escombros.
Ele levantou os muros da cidade em apenas cinquenta e dois dias, apesar de escassez de recursos, do desânimo do povo e dos constantes ataques do inimigo. Qual foi o segredo desse grande líder?
1. Neemias conjugava piedade com estratégia. Quando soube que a cidade de Jerusalém estava assolada por grande miséria e o seu povo vivendo debaixo de opróbrio, Neemias chorou, orou, jejuou, mas também se dispôs a agir e ao agir, fê-lo com refinada sabedoria. Ele falou com Deus e com o rei da Pérsia. Ele buscou os recursos do céu e os tesouros da terra. Precisamos de líderes piedosos e de líderes sábios, líderes íntegros e também de líderes relevantes. Homens que tenham intimidade com os céus e sabedoria para lidar com os intrincados problemas da terra.
2. Neemias conjugava discrição com encorajamento. Quando Neemias chegou à devastada cidade de Jerusalém, nada disse ao povo até fazer uma meticulosa avaliação da situação. Somente depois, compartilhou seu plano e conclamou o povo para unir-se a ele na reconstrução da cidade. Antes de desafiar o povo para o trabalho, o líder precisa saber a dimensão da obra a ser feita. Antes de falar ao povo, o líder precisa ter uma estratégia clara em sua mente. Um líder sábio analisa os problemas discretamente antes de encorajar seus liderados publicamente. Quando o líder sabe o que precisa ser feito, e onde quer chegar e como chegar, seus liderados são encorajados a realizar a obra.
3. Neemias conjugava integridade com exortação. Os governadores que precederam Neemias exploraram o povo. Eram líderes que se serviam das pessoas em vez de servi-las. Neemias interrompe essa cultura de corrupção e exorta os abastados a socorrer os necessitados. Ele exortou com autoridade, porque sua integridade era a base da sua liderança. Por temor a Deus, não usou seu posto de liderança para auferir vantagens pessoais, mas para servir ao povo com maior abnegação. A vida do líder é a vida da sua liderança. A integridade do líder é a base da sua autoridade para exortar seus liderados.
4. Neemias conjugava oração com trabalho. Neemias foi um homem de oração e de ação. Ele orava e agia. Ele confiava em Deus e trabalhava. Ele orou ao saber do problema de Jerusalém. Ele orou ao falar com o rei Artaxerxes. Ele orou diante dos ataques do inimigo. A oração era a atmosfera em que realizava sua obra. Ele entendia que a obra de Deus precisava ser feita na força de Deus, de acordo com a vontade de Deus e para a glória de Deus. Neemias acreditava que Deus é quem abre as portas, provê os recursos, desperta o povo, livra do inimigo e dá a vitória. A intensa agenda de oração de Neemias, entretanto, não fez dele um líder contemplativo, mas um homem dinânimo, um gestor competente, um estadista que reergueu sua cidade dos escombros.
5. Neemias conjugava o ensino da Palavra com planejamento estratégico. Neemias foi um líder fiel às Escrituras. Ele convocou o povo para voltar-se para a Lei de Deus e fez não apenas uma reforma estrutural e política em sua cidade, mas também uma reforma espiritual. Por outro lado, Neemias foi absolutamente estratégico nesse projeto. Ele colocou cada pessoa no lugar certo, para fazer a coisa certa, com a motivação certa. Ele motivou e mobilizou todas as pessoas: homens e mulheres, pobres e ricos, sacerdotes e comerciantes, agricultores e ourives. Ninguém ficou de fora. No seu planejamento havia trabalho para todos e foi a união de todos, trabalhando na mesma direção, com a mesma motivação, que redundou em vitória tão esplêndida. Que Deus levante entre nós líderes da estirpe de Neemias!
Ele levantou os muros da cidade em apenas cinquenta e dois dias, apesar de escassez de recursos, do desânimo do povo e dos constantes ataques do inimigo. Qual foi o segredo desse grande líder?
1. Neemias conjugava piedade com estratégia. Quando soube que a cidade de Jerusalém estava assolada por grande miséria e o seu povo vivendo debaixo de opróbrio, Neemias chorou, orou, jejuou, mas também se dispôs a agir e ao agir, fê-lo com refinada sabedoria. Ele falou com Deus e com o rei da Pérsia. Ele buscou os recursos do céu e os tesouros da terra. Precisamos de líderes piedosos e de líderes sábios, líderes íntegros e também de líderes relevantes. Homens que tenham intimidade com os céus e sabedoria para lidar com os intrincados problemas da terra.
2. Neemias conjugava discrição com encorajamento. Quando Neemias chegou à devastada cidade de Jerusalém, nada disse ao povo até fazer uma meticulosa avaliação da situação. Somente depois, compartilhou seu plano e conclamou o povo para unir-se a ele na reconstrução da cidade. Antes de desafiar o povo para o trabalho, o líder precisa saber a dimensão da obra a ser feita. Antes de falar ao povo, o líder precisa ter uma estratégia clara em sua mente. Um líder sábio analisa os problemas discretamente antes de encorajar seus liderados publicamente. Quando o líder sabe o que precisa ser feito, e onde quer chegar e como chegar, seus liderados são encorajados a realizar a obra.
3. Neemias conjugava integridade com exortação. Os governadores que precederam Neemias exploraram o povo. Eram líderes que se serviam das pessoas em vez de servi-las. Neemias interrompe essa cultura de corrupção e exorta os abastados a socorrer os necessitados. Ele exortou com autoridade, porque sua integridade era a base da sua liderança. Por temor a Deus, não usou seu posto de liderança para auferir vantagens pessoais, mas para servir ao povo com maior abnegação. A vida do líder é a vida da sua liderança. A integridade do líder é a base da sua autoridade para exortar seus liderados.
4. Neemias conjugava oração com trabalho. Neemias foi um homem de oração e de ação. Ele orava e agia. Ele confiava em Deus e trabalhava. Ele orou ao saber do problema de Jerusalém. Ele orou ao falar com o rei Artaxerxes. Ele orou diante dos ataques do inimigo. A oração era a atmosfera em que realizava sua obra. Ele entendia que a obra de Deus precisava ser feita na força de Deus, de acordo com a vontade de Deus e para a glória de Deus. Neemias acreditava que Deus é quem abre as portas, provê os recursos, desperta o povo, livra do inimigo e dá a vitória. A intensa agenda de oração de Neemias, entretanto, não fez dele um líder contemplativo, mas um homem dinânimo, um gestor competente, um estadista que reergueu sua cidade dos escombros.
5. Neemias conjugava o ensino da Palavra com planejamento estratégico. Neemias foi um líder fiel às Escrituras. Ele convocou o povo para voltar-se para a Lei de Deus e fez não apenas uma reforma estrutural e política em sua cidade, mas também uma reforma espiritual. Por outro lado, Neemias foi absolutamente estratégico nesse projeto. Ele colocou cada pessoa no lugar certo, para fazer a coisa certa, com a motivação certa. Ele motivou e mobilizou todas as pessoas: homens e mulheres, pobres e ricos, sacerdotes e comerciantes, agricultores e ourives. Ninguém ficou de fora. No seu planejamento havia trabalho para todos e foi a união de todos, trabalhando na mesma direção, com a mesma motivação, que redundou em vitória tão esplêndida. Que Deus levante entre nós líderes da estirpe de Neemias!
LIÇÃO 13- A INTEGRIDADE DE UM LÍDER
A Integridade do Líder
Você é um líder.
Ficou surpreso com o impacto da palavra Líder? Antes de estar na posição de líder, talvez você tenha pensado que os Líderes tinham uma vida sobre-humana, vivendo numa relação face a face com Deus como Moisés e que suas idéias eram absolutas e suas respostas perfeitas, sem ambivalências.
O tempo passou e, quando menos percebemos, fomos chamados a assumir uma posição de liderança e sentimos a mesma insegurança que Moisés ou Josué: Eu??? Líder??? Não Senhor, deve haver algum engano… Chegar à posição de guiar outras pessoas não é algo que acontece subitamente, é uma evolução a que vamos nos acostumando e seguimos sem que haja uma reflexão mais profunda dos papéis que assumimos e também da necessidade de uma evolução ética, essencial para a nova etapa.
Assim como um prédio mais alto precisa de alicerces mais profundos, um líder com mais influência precisa de um padrão ético mais firme na Rocha.
Quando nos damos conta de que muitas pessoas se apóiam em nossa Visão para construírem – total ou parcialmente – a sua definição pessoal, percebemos uma desconfortável sensação de poder que se opõe à insegurança e à fragilidade de estar na frente, sendo avaliado pelo que faz ou decide não fazer.
Ao mesmo tempo, nós também precisamos também de direções: “Que condições Deus nos apresenta para seguir crescendo dentro da Sua Visão? Quais armadilhas que o cristão precisa atravessar para fazer a Sua Vontade aqui na Terra como ela é feita no Céu?”
A resposta está na busca da Integridade.
Integridade
“O que você não quiser comer, não cheire”. Ditado Nigeriano.
Sua liderança depende de sua Integridade.
Sua liderança depende de sua Integridade.
O vocábulo “Integridade” vem do latim “Integrare” que significa “fazer inteiro, uno, total” por exemplo: integrais são números inteiros, integrar é combinar as partes em algo único, holístico, um total.
Então Integridade tem a ver com totalidade, unicidade, indivisibilidade. Uma pessoa íntegra ou de Integridade é a que é una, a mesma:
O que ela diz é o mesmo que ela faz. O que ela é em público é o mesmo em sua vida privada. As duas coisas são uma só e não duas. Na verdade, os maiores problemas de caráter acontecem nas menores coisas. Quando o cristão começa sua jornada de guiar outras pessoas percebe-se tendo que encarar sentimentos, impulsos e limitações que nunca imaginou que enfrentaria quando chegasse a tal posição. Há uma relação direta entre ser um cristão e apontar o caminho para outras pessoas. Por isso nos referimos a cada cristão como um líder.
As tentações não se materializam como grandes desafios éticos, mas sim em pequenas coisas que estão ao alcance do líder em seu dia a dia. O amadurecimento de um cristão começa quando ele aprende a lidar com suas pequenas fraquezas e também a compreender a fraqueza dos outros.
Sabemos que não se pode medir o nível de Integridade de uma pessoa. É uma avaliação subjetiva. Mas podemos dizer que existe uma linha imaginária que a mede e que as pessoas, de maneira geral, vêem esta linha e respondem a ela. Esta linha é medida inconscientemente pelas pessoas quando percebem a distância entre fazer o que se fala e falar o que se faz.
Quanto maior a Integridade de um cristão mais ele pode fazer o que fala e falar o que faz. Muitas pessoas, quando em público, são doces e amorosas, mas em sua vida pessoal são vistas como algozes impiedosos. Freqüentemente não somos a mesma pessoa em nossa vida pessoal e na vida privada. É claro que sua privacidade não precisa ser invadida a todo o momento mas vale lembrar que um dia ela será e tudo o que está oculto em sua vida será descoberto. Então a vida cristã e o caráter cristão são uma só experiência. Experiência essa marcada pela frustração e pela busca de socorro em Deus.
A Integridade dá:
· Poder às nossas palavras.
· Força aos nossos planos.
· Impacto às nossas ações.
Quando se estabelece a Integridade muito pode ser feito. Mas se há uma dúvida quanto à Integridade de um líder ou de uma Igreja, quase nada pode ser feito.
Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós. Tito 2; 7-8
Um dos primeiros ataques a um cristão ou a qualquer líder é quanto à sua Integridade, depois quanto à legitimidade de sua liderança.
Estes ataques não acontecem “fora das muralhas”, advindos da estratégia do inimigo, mas sim de dentro de nossa sala mais íntima e segura, transbordando daqueles com quem dividimos o pão.
Esta maldição se manifesta sem que ninguém perceba o seu poder de corrosão. Um reino não pode prevalecer quando está dividido e a falta de confiança no líder gera a divisão e a rebelião.
Cultivando a Integridade
Tome cuidado com as pequenas coisas
Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mat.25.21
Nos pequenos detalhes, no segundo olhar, nas pequenas e inocentes provas que parecem sem risco algum… nos detalhes quebramos a relação de intimidade com Deus. Integridade só é conseguida na relação de amor e dependência de Deus. Diga não à tentação… o mais rápido possível.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. I Tim 6.11
Não deixe sua mente negociar. Uma das cenas mais sutis do filme “O Advogado do Diabo” o jovem advogado está conversando com o dono do escritório de advocacia sem saber que ele e o próprio diabo e pergunta: “Você está negociando?” e o diabo responde: “Estou sempre negociando!”
Não separe Vida Privada de Vida Pública.
Ao que disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora diante dos anciãos do meu povo, e diante de Israel, e volta comigo, para que eu adore ao Senhor teu Deus. I Sam 15.30
Em qualquer dúvida diga não! Sua consciência é seu bem mais valioso e deve ser treinada para fazer o que é certo tendo como base princípios e não quantidades ou quantias.
Mantenha sua consciência limpa.
Atenção para motivos escusos. Quando assumimos o nosso papel como cristãos e como líderes, estamos querendo que as pessoas nos sigam e elas não seguem idéias, seguem pessoas. Quando a pessoa não é fidedigna, ninguém a seguirá. Seja transparente diante dos homens e de Deus.
Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensas diante de Deus e dos homens. Atos 24.16
Não se permita caminhar com pendências em nenhuma área de sua vida. A Palavra de Deus nos convoca a limpar as pendências com os irmãos antes de fazer o mais sagrado: ofertar no altar do Senhor. Se algo é levantado contra a imagem ou o ministério de um líder, não é suficiente que ele tenha boas justificativas. É necessário que ele saiba lidar com o processo por detrás da queixa.
· Se é algo a ser consertado, reparado ou resgatado, resolva com o irmão.
· Se é uma insurreição dentro da Igreja ou do ministério, dissolva as causas.
· Se é uma armadilha do diabo, resista e lute dentro da Palavra de Deus.
Mas em todos os casos entenda que há um chamado de Deus para um conserto, portanto humilhe-se diante do Pai, e Ele te exaltará diante dos homens.
Integridade é essencial para a Liderança porque toda liderança é uma liderança moral. David Wong.
Há uma Visão para seguirmos e um caminho para construirmos. Somos um povo que tem um Deus fiel para dar a Visão e as condições para sua realização, por isso é chamado “O Senhor do Impossível”. Deus não tem Seu maior interesse no que você faz mas sim no que você se transforma enquanto faz. Ele observa suas motivações e o oculto de seu coração. É isso que Ele deseja: adoradores que vivem a ação como adoração e sua busca de santidade é um processo natural de derramar-se diante do Seu Altar.
Que Deus nos desafie e nos transforme.
Com amor e gratidão pelos homens e mulheres de Deus da Igreja Batista da Lagoinha, vocês que investem sua vida na verdadeira videira e frutificam no deserto deste mundo.
Com amor
Com amor e gratidão pelos homens e mulheres de Deus da Igreja Batista da Lagoinha, vocês que investem sua vida na verdadeira videira e frutificam no deserto deste mundo.
Com amor
Dr. Roberto Aylmer
www.vivos.com.br
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LIÇÃO 13- A INTEGRIDADE DE UM LÍDER
Nesta última lição do 4º trimestre de 2011 o tema “integridade” é abordado com muita propriedade. Iniciarei este subsídio citando e comentando alguns trechos da lição.
A INTEGRIDADE DO LÍDER E AS VANTAGENS
“[...] Neemias abriu mão de todas essas vantagens, para ajudar para ajudar seus compatriotas a superar aquele momento tão difícil. Atualmente, não são poucos os homens e mulheres que tudo renunciam para se dedicarem integralmente ao Reino de Deus.” (Ponto I, sub-ponto 1)
O texto acima afirma uma verdade, a de que muitos renunciaram vantagens para se dedicarem ao Reino Deus. Conheço diversas pessoas que sentindo o chamado de Deus para dedicar tempo exclusivo em sua obra abriram mão de um emprego maravilhoso, de uma carreira promissora e de um negócio lucrativo.
Por outro lado, conheço muita gente que fez (e faz) do Reino de Deus o seu negócio. São líderes que fazem da posição que ocupam fonte de enriquecimento pessoal e de benefício para a família e “amigos”. Estes, matam e morrem para não perder as vantagens das quais Neemias abriu mão. Falo da segurança, estabilidade, conforto, posição privilegiada e honrarias.
Nos dias atuais tenho visto líderes que eram íntegros e tementes a Deus, mas, que agora encontram-se corrompidos e embriagados por cargos e posições. Ocupar e se manter em cargos de diretorias de igrejas, convenções estaduais e nacionais tornou-se obsessão para os tais. A minha alma geme em vê tanta gente boa se perdendo. A confiança na soberania de Deus que estabelece líderes para servir ao seu povo foi quase que totalmente abandonada.
A INTEGRIDADE DO LÍDER E A REFORMA MORAL E ESPIRITUAL
“Homem íntegro e temente a Deus, não se limitou a reconstruir os muros e as portas de Jerusalém, mas conduziu a nação a uma profunda reforma moral e espiritual”. (Ponto II, sub-ponto 1)
Uma reforma moral e espiritual foi um grande anseio no período que antecedeu a Reforma Protestante. O quadro era o seguinte:
- Corrupção e suborno nas eleições e indicações para os cargos eclesiásticos. Alexandre VI foi eleito pelo colégio de cardeais por meio de suborno e Leão X teve a sua eleição comprada a peso de ouro[1]. Sisto IV financiou suas guerras vendendo os cargos da Igreja para os compradores que mais pagassem.[2] Os cardeais raramente eram escolhidos por sua piedade, mas em geral por sua riqueza ou relações políticas ou capacidade administrativa.[3] Na Igreja do século XV quase todas as indicações exigiam a compra de superiores. “Uma medida papal muito usada para arranjar dinheiro era vender cargos eclesiásticos, ou (segundo o ponto de vista dos papas) indicar para sinacuras ou honrarias, até para cardinalato, pessoas que fizessem uma contribuição substancial para as despesas da Igreja”.[4] O nepotismo esteve também presente. Alexandre VI logo após a instalação, cumulou seu filho de benefícios, que aos 16 anos foi nomeado arcebispo de Valência. Após um ano fê-lo cardeal.
- Envolvimento com a política secular. Leão X, o terrível, era mais comandante de tropas do que líder espiritual. “Para ele, a salvação da Igreja estava na política e na guerra, uma eclesiologia altamente questionável”.[5] A diplomacia inescrupulosa de Alexandre VI e o militarismo cruel de seu filho César Bórgia reconquistaram os Estados Papais para o papado e acrescentaram rendas e forças à Sé Apostólica, escandalizando com os seus métodos a Europa.[6] O Papa Júlio II superou a postura e ação militar de César Bórgia realizando guerra contra a rapace Veneza e os franceses invasores. “A Europa ficou chocada ao ver o papado não somente secularizado como também militarizado”.[7] O Papa Sisto IV atirou-se avidamente ao jogo da política.[8] Muitos bispos eram, ao mesmo tempo, governadores eclesiásticos e civis.[9]
- O esbanjamento dos recursos. Leão X foi leviano gastando fortunas para saciar o seu hedonismo. Logo após a sua eleição escreveu a seu irmão Giuliano de Médicis: “Curtamos o papado, já que Deus no-lo concedeu!”.[10] A Igreja esqueceu a pobreza dos Apóstolos nas necessidades e gastos do poder[11]. Os impostos papais para manter o luxo tornaram-se uma carga pesada para o povo da Europa.[12] “Para a maior parte do clero, a Igreja era vista como sendo de sua propriedade”. [13]
- A força da tradição. Um conjunto de tradições religiosas, ao passar dos séculos, ganhou preeminência em relação à Palavra de Deus. Assim, como nos dias de Jesus, a tradição passou a invalidar o mandamento divino (Mt 15.1-6). Como bem coloca Maia
A tradição nunca foi rejeitada pelo simples fato de ser tradição. Nas próprias Escrituras encontramos ênfase e crítica à tradição (2 Ts 2.15). A questão básica é: A que tradição estamos nos referindo? R.C. Sproul esclarece: “Lutero e os reformadores não queriam dizer por Sola Scriptura que a Bíblia é a única autoridade da Igreja. Pelo contrário, queriam dizer que a Bíblia é a única autoridade infalível dentro da Igreja.[14]
O que não se pode negociar e aceitar é o fato de que nenhuma tradição, por “boa” que seja, tenha autoridade acima da Palavra de Deus.
- Outras queixas. Outros fatores contribuíram para o anticlericalismo da Europa Católica Romana.[15] Foram eles: A ênfase na fé ortodoxa mais do que na boa conduta, a absorção da religião pelo ritual, a ociosidade e a esterilidade espiritual dos monges, a exploração da credulidade popular através da venda de indulgências, do suposto poder miraculoso das relíquias, do abuso da excomunhão, da censura pelo clero às publicações, a crueldade da inquisição, o desvios de recursos destinados às cruzadas, e mais a afirmação de que um clero corrompido era o único ministrador de todos os sacramentos, com exceção do batismo.
Este conjunto de fatores promoveu um total descrédito na liderança da Igreja. O título de clérigo, padre ou monge era um termo de insulto pesado. “Em Viena, o sacerdócio, em tempos a mais desejada de todas as carreiras, não recebeu qualquer noviço nos 20 anos que precederam a Reforma”.[16]
É duro afirmar, mas estamos repetindo os mesmos erros do passado. Concluo, seguindo a mesma perspectiva de Lutero, de que uma reforma moral só será possível com uma reforma espiritual, e não o contrário. Aliás, foi este o grande ponto de divergência entre o reformador Lutero e o humanista Erasmo de Roterdã.
A INTEGRIDADE DO LÍDER E O PODER
“Há um ditado popular que diz: ‘Quer saber quem é realmente uma pessoa? Dê-lhe poder’. Há certos homens e mulheres que, ao assumirem um cargo de liderança, mudam completamente”.(Ponto II, sub-ponto 2)
Eu acrescento ao ditado o seguinte: Quer saber mais ainda quem é realmente uma pessoa? Tire o poder que lhe foi dado.
Conheço líderes que quando não estavam no poder censuravam e se indignavam com algumas práticas de quem lá estava. Ao assumir o poder, não demorou muito para reproduzir os mesmos erros.
Hoje, em igrejas e Convenções, há uma luta ferrenha para se conquistar e para se manter no poder. Quem está fora quer entrar para “mamar nas tetas” da instituição, enquanto quem está no poder não quer largar de forma alguma as “tetas”. Parece até com a música do Dominguinhos que diz:
Olha, isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem ta fora qué entra
Mas quem ta dentro não sai
Verso:
Vou me perder me afogar no teu amor
Vou desfrutar me lambuzar deste calor
Te agarrar pra descontar minha paixão
Aproveitar o gosto dessa animação
No caso “ministerial” em questão, os homens estão se afogando no amor ao poder, se lambuzando nos privilégios, se agarrando aos cargos e se animando nos grandes banquetes.
A INTEGRIDADE E A POPULARIDADE DA LIDERANÇA
Wiersbe, em seu livro A Crise de Integridade (1993, p. 52-53), faz uma advertência bastante pertinente para a nossa realidade
Uma das fraquezas da igreja nos últimos anos tem sido a abundância de celebridades e a ausência de servos. A maneira pela qual alguns pregadores dos meios de comunicação têm ostentado abertamente um estilo de vida extravagante é uma desgraça para si mesmos e para a igreja. Entretanto, poucos líderes religiosos ousam criticá-los ou cortar a amizade. Afinal, quando assistem às mesmas convenções, compartilham a mesma publicidade e pertencem às mesmas comissões influentes, é fácil ignorar o pecado e chamar a covardia de “tolerância”. A igreja não vai solucionar a crise de integridade até que os seus ministros e membros comecem a viver a mensagem do evangelho tanto quanto pregá-la. Os pregadores do sucesso asseveram que uma vida de opulência é a confirmação do evangelho, mas eu acho que é uma contradição do evangelho. Não é que Deus queira que o seu povo viva em pobreza, pois ele “tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Tm 6.17). Mas, levando em consideração o nascimento, a vida e a morte de Cristo, e levando em consideração o sofrimento e a necessidade do mundo nos dias de hoje, como pode a igreja justificar apoio a homens e movimentos que desperdiçam recursos? Acho que algumas celebridades cristãs tem problemas financeiros e morais por começarem a acreditar no que se dizia a seu respeito. Deve ser difícil para a celebridade chegar em casa depois de uma esplêndida reunião ou concerto e ter que trocar as fraldas do nenê ou levar o lixo para fora! [...] Nos dias de hoje muitos ministérios são governados pela popularidade e não pela integridade, pelas estatísticas e não pelas Escrituras. [...] Nossa igrejas também precisam de líderes corajosos como Neemias, que estejam dispostos a atacar a árdua tarefa de remover os destroços, reconstruir os muros e retirar o opróbrio do povo de Deus. Para resolver essa crise de integridade, pregadores e leigos precisam trabalhar em conjunto. Portanto, voltemos a Neemias e consideremo-lo como nosso exemplo de integridade na liderança.
Amados, fico por aqui, agradecendo a todos que me motivam para continuar a escrever estes subsídios. Sou sabedor do incômodo que os mesmos provocam em muitos, mas, da mesma forma, da esperança e ânimo que promovem em outros.
Sou consciente de que não se dobrar ao “sistema” tem um preço alto a ser pago, mas, como Jesus pagou um preço bem maior, sigo na graça dele e contando com as vossas orações.
No amor de Cristo,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOICE, James M. et al. Reforma Hoje: uma convocação feita pelos evangélicos confessionais. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. Tradução de Israel belo de Azevedo. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1988.
DURANT, Will. A Reforma. Tradução de Mamede de Souza Freitas. 3.ed.Rio de Janeiro: Record, 2002.
DREHER, Martim N. A Crise e a renovação da Igreja no período da Reforma. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2006.
MAIA, Hermisten. Fundamentos da Teologia Reformada. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
WIERSBE, Warren W. A crise de integridade. Flórida-EUA: Editora Vida, 1993.
http://www.altairgermano.net
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