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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Lição 1-Quando a crise mostra a sua face


Texto Básico: Ne 1:1-11
E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo“(Ne 1:3).

INTRODUÇÃO 

 Pela inefável misericórdia de Deus estamos começando mais um trimestre letivo da EBD. O tema geral é: “Neemias, integridade e coragem em tempos de crise”. Vamos estudar a vida, a obra e o ministério de Neemias. Como líder, ele enfrentou um tempo de crise espiritual e moral. Foi um homem extraordinário, usado por Deus na reconstrução dos muros de Jerusalém, quando Israel encontrava-se no cativeiro, e uma parte da nação tentava sobreviver e reconstruir a cidade que um dia fora orgulho do povo hebreu. Era um tempo de crise geral, consequência da desobediência a Deus. Deus havia advertido ao seu povo a que não seguisse os costumes dos outros povos, adorando seus deuses e desviando-se do verdadeiro Deus. Todavia, não seguiu as ordens divinas, e pagou o preço de sua desobediência. Mas Deus não se esqueceu do Seu povo. Ele utilizaria a pessoa de Neemias para restaurar a cidade de Jerusalém e deixá-la pronta para o retorno dos exilados.
O exemplo de Neemias é de um tempo muito longínquo, de milênios atrás, mas seu exemplo é de grande valor para a igreja do Senhor Jesus Cristo. Estamos percebendo uma escassez de nomes de peso na liderança na obra do Senhor. Ela nos conclama a espelhar-nos na vida, exemplo e testemunho de líderes como Neemias.
A Igreja do Senhor Jesus está vivendo, certamente, o momento mais difícil de sua história. As forças do mal querem amordaçá-la. Como destruí-la é impossível, os inimigos querem silenciá-la. Mas, confiamos no Líder Maior, que é o Senhor e Salvador Jesus Cristo, que dará vitória ao Seu povo.

I. A CRISE EM JERUSALÉM

O povo voltou para Jerusalém, mas a restauração ainda não havia acontecido. O Templo, a cidade e o povo estavam debaixo de grande miséria e opróbrio. Jerusalém estava em plena crise.
Neemias recebeu a visita de Hanani na cidadela de Susã, a residência de inverno dos reis persas, no ano 444 a.C, no vigésimo ano de Artaxerxes I (464-423), ou seja, treze anos depois de Esdras subir a Jerusalém, e 142 anos depois do cativeiro babilônico (Ed 7:7). Essa visita de Hanani foi providencial. A partir dela um novo horizonte se abriu na vida de Neemias e um novo futuro chegou para a cidade de Jerusalém. Aquele foi okairós de Deus, o tempo da oportunidade. E Neemias não perdeu a oportunidade dada por Deus de restaurar a cidade dos seus pais.
1. Aspectos da crise em Jerusalém. A feição da crise é tenebrosa, amedrontadora. Ela se acomoda com maior incidência nos mais fracos e nos desvalidos. Para combatê-la é necessário conhecer bem a sua causa. A seguir, apresentamos alguns aspectos da crise em Jerusalém na época de Neemias.
a) Insegurança pública. Hanani disse a Neemias:
 “[…] os muros de Jerusalém estão derribados” (1:3). A cidade estava desguarnecida, o povo estava sem defesa; não havia segurança; os invasores podiam entrar a qualquer hora. Um povo sem segurança sente-se vulnerável e ameaçado.
Esse é o maior problema das grandes cidades hoje. Vivemos sob o espectro do medo. Trancamo-nos dentro de casa e temos medo de sair às ruas. Há violência, arrombamentos, assaltos e sequestros. Nossas cidades estão se transformando num campo de sangue, num anfiteatro onde tombam as vítimas indefesas da criminalidade incontrolável. Nossas cidades estão sem muros e entregues ao furor de hordas de criminosos.
b) Injustiça social. Disse ainda Hanani: “[…] e as suas portas, queimadas” (1:3). Os juízes que julgavam as causas do povo ficavam junto às portas da cidade. Com suas portas queimadas, Jerusalém estava desassistida do braço repressor da lei, desprovida da ação do ministério público e sem o ministério vital dos juízes. O judiciário estava falido. Campeavam a corrupção e o desmando. Não havia lei, nem justiça.
A sociedade se desespera quando a justiça é torcida e quando aqueles que a aplicam se corrompem. O povo fica com a esperança morta quando aqueles que deviam ser os guardiões da lei mancomunam-se com esquemas criminosos para praticarem toda sorte de injustiça. As portas das nossas cidades também estão queimadas. Não somente estamos expostos às gangues do narcotráfico, aos esquemas mafiosos dos crimes de mando, aos ataques cada vez mais violentos daqueles que zombam do valor da vida e ceifam os inocentes sem que estes ofereçam resistência, mas também estamos assombrados com o conluio criminoso dos poderes constituídos, com essas forças ocultas do mal que espalham o pavor e se embriagam com o sangue da nossa gente. A tragédia que se abateu sobre Jerusalém no passado é uma dolorosa realidade também dos nossos dias.
c) Pobreza. Hanani concluiu seu relato: “Os restantes, que não foram levados para o cativeiro e se acham lá na província, estão em grande miséria…”(1:3). O povo judeu tinha voltado para Jerusalém. Cento e vinte anos haviam se passado desde que foram levados para a Babilônia, mas a pobreza ainda assolava o povo. Viviam no meio de escombros. Eles perderam o ânimo para lutar. Viviam oprimidos pelos seus inimigos. Cada um corria atrás da sua própria sobrevivência e, assim, o povo perdeu a noção de cidadania. Um povo achatado pela opressão política, esmagado sob a bota cruel da pobreza, capitula e enfrenta o maior de todos os naufrágios: o naufrágio da esperança.
d) Desprezo. Hananias conclui, dizendo: “… e desprezo” (1:3). Além de viverem numa cidade sem segurança e sem justiça; além de estarem golpeados pela pobreza, eram também ultrajados pelo desprezo. Era um povo esquecido, abandonado à sua sorte.
Maior do que a dor da pobreza é a dor do abandono. O povo estava desassistido e ainda encurralado pelos inimigos. Muitos vivem assim ainda hoje. O desprezo não dói apenas no bolso e no estômago, mas, sobretudo, na alma. Ele atinge o âmago, o íntimo. Ele tenta destruir o homem de dentro para fora.
2. Antecedentes históricos. Com a morte de Salomão, em 931 a.C, o reino de Israel foi dividido. O Reino do Norte teve dezenove reis e oito dinastias. Em um período de 209 anos, nenhum desses reis buscou a Deus, sendo todos rebeldes. Deus enviou-lhes profetas, mas os nobres e o povo não se arrependeram. Então, Deus enviou o “chicote” e os entregou nas mãos da Assíria, em 722 a.C. Eles foram levados cativos e nunca foram restaurados.
O Reino do Sul teve vinte reis na mesma dinastia davídica. Judá não aprendeu a lição do Reino do Norte e também começou a se desviar de Deus. Os reis taparam os ouvidos à voz profética, prenderam e mataram os profetas. Então, Deus os entregou nas mãos de seus inimigos. Em 586 a.C, veio Nabucodonosor contra Jerusalém, derribou os seus muros e destruiu o Santo Templo. Em seguida, os judeus foram levados cativos para a Babilônia e lá permaneceram setenta anos(Jr 25:11).
O que aconteceu com Israel nos adverte sobre uma nação que afronta o Deus vivo. Maldições, cativeiro e miséria são o resultado de um comportamento que escarnece a Deus. Nosso país está tomando um rumo perigoso. Os líderes da nação brasileira, em seus variados poderes, estão afrontando e escarnecendo da Lei de Deus. Leis infames e injustas que aprovam o que Deus condena estão tendo o apoio até do Judiciário. Nuvens negras baixam sobre nossa terra. É hora de clamar e orar para que Deus tenha misericórdia de nossa nação.
3. Deus dá o escape. A megalomaníaca Babilônia caiu. Ela confiou na sua grandeza, orgulhou-se de sua pujança e a soberba a levou ao chão. Um novo império se levantou e dominou o mundo: o Império Medo-Persa. A política desse reino era diferente. A Babilônia arrancava os súditos da sua terra e os levava cativos, enquanto, o Império Medo-Persa adotava a política de manter os súditos em seu próprio território. Instigado por Deus, o rei Ciro permite que um grupo de judeus retorne a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros da cidade e reerguer o Santo Templo(Dn 8:3; Ed 1:1). Ele cumpre as suas promessas(Jr 29:10-14), mesmo que tenha que usar um ímpio como Ciro(vide Ed 1:1-4; Is 45:1). Sejam quais forem as circunstâncias, Deus dá sempre o escape àqueles que o honram e obedece a sua Palavra.
4. A volta com Zorobabel. De 3 milhões de pessoas que eram, ao sair do Egito, menos de 50 mil retornaram a Jerusalém, com Zorobabel, Esdras e Neemias. Muitos ficaram na Babilônia e não quiseram voltar. A geração que fora para o cativeiro já estava idosa e a que nascera na Babilônia havia se aculturado.
“O povo voltou em três levas: a) Sob a liderança de Zorobabel para reconstruir o Templo; 2) Sob a liderança de Esdras para ensinar a Lei; 3) Sob a liderança de Neemias para reconstruir os muros. Tanto Esdras como Neemias voltaram sob o governo de Artaxerxes I (465-424 a. C). Os judeus que voltaram para Jerusalém foram profundamente influenciados pela fé dos seus pais mesmo no cativeiro. A criação das sinagogas no exílio para o estudo da lei e dos profetas exerceu uma grande influência na inspiração da fé religiosa daqueles que retornaram à Jerusalém” (ELLISEN,Stanley A.Conheça melhor o Antigo Testamento).
Os que voltaram enfrentaram a proposta sedutora dos samaritanos para se associarem na reconstrução do Templo. Os judeus rejeitaram a proposta veementemente. Perceberam que os samaritanos não estavam interessados na reconstrução de Jerusalém, mas na destruição do próprio povo judeu (Ed 4:1-3; 2Rs 17:24,33,34). A rejeição foi motivada por sentimentos religiosos e não por preconceito racial (Ed 6:21). A questão não era racismo, mas fidelidade doutrinária.
A rejeição da oferta samaritana provocou forte oposição e a construção do Templo foi paralisada por ordem do rei Artaxerxes (Ed 4:11-21). Mas, com a subida de Dario ao trono, a reforma do Templo foi retomada e concluída (Ed 6). O Santo Templo foi reinaugurado em 516 a. C (Ed 6:13-22).


II. O CHAMADO DE NEEMIAS

Três fatos são dignos de destaque a respeito de Neemias:1. Quem era Neemias.
a) O seu nome (1:1). O nome Neemias significa “aquele que consola”. Neemias era um consolador, um homem de coração aberto e sensível aos problemas dos outros. Neemias era um servo de Deus, servindo ao rei da Pérsia e disposto também a servir o seu desprezado povo. Possivelmente, Neemias tenha nascido no cativeiro e tenha crescido num ambiente cercado por influências pagãs. No entanto, mesmo cercado por ambiente hostil, cresceu como um homem comprometido com Deus.
b) Sua ocupação(Ne 1:11). Neemias provavelmente não conhecia Jerusalém. Ele cresceu num contexto de politeísmo. Contudo, por causa de sua integridade, capacidade e lealdade, ocupou um cargo de grande confiança no reinado de Artaxerxes, em Susã, principal palácio e residência de inverno do monarca. Ele era copeiro do rei Artaxerxes.
Pelo grande temor que os reis tinham de ser envenenados, o copeiro era um homem de grande confiança. Ele provava o vinho do rei e cuidava dos seus aposentos. Ele supervisionava toda a alimentação do palácio e, antes de o rei ingerir qualquer bebida, devia tomar o copo, ingerindo-a ele mesmo. Isso tinha por fim demonstrar que nenhuma traição ocorrera e que, portanto, não havia perigo de envenenamento. O rei da Pérsia colocava a vida em suas mãos. Além de copeiro, ele era uma espécie de primeiro-ministro, o braço direito do rei Artaxerxes.
c) Sua empatia(Ne 1:4). Seus ouvidos estavam abertos ao clamor do seu irmão e seu coração profundamente sensível às necessidades do seu povo. Neemias vivia no luxo, mas também vivia de forma piedosa. Ele vivia com Deus e se importava com aqueles que viviam na miséria.
Jerusalém estava a 1.500 km de Susã. Neemias nunca vira antes a cidade dos seus pais, mas ele se importava com ela. Os problemas da cidade eram os seus problemas, a dor da sua gente era a sua dor. Na sua agenda havia espaço para receber aqueles que estavam sofrendo. Era um homem que tinha conhecimento, influência e poder, mas não se afastava daqueles que viviam oprimidos pelo sofrimento. Muitos homens que vivem encastelados no poder aproximam-se do povo apenas para auferir benefícios próprios; correm atrás do povo apenas à cata de votos para depois se locupletarem com lucros abusivos, esquecendo-se deliberadamente daqueles que os guindaram ao poder. Neemias caminha na direção do povo para socorrê-lo e não para explorá-lo.
2. Chamado por Deus. Conquanto o Templo estivesse funcionando conforme as leis leviticas, os muros estavam fendidos “e as suas portas queimadas a fogo”(Ne 1:1-3). Neeemias, então, sente o chamado de Deus para deixar o conforto palaciano e viajar a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros e as portas da cidade. Isto ocorreu em 444 a. C, 14 anos após a expedição de Esdras a Jerusalém.
Bem disse o pr. Elinaldo Renovato, “Templo sem muros é igreja sem doutrina. E as portas queimadas representam o liberalismo que, infelizmente, predomina em muitas igrejas, facilitando a entrada de costumes mundanos entre os santos”.
Portanto, cumprir os propósitos de Deus é mais importante do que viver encastelado no nosso próprio conforto. Por isso, Neemias deixou sua zona de conforto, o palácio de Artaxerxes, e foi reconstruir os muros caídos de Jerusalém. O reverendo Hernandes Dias Lopes escreveu: “O verdadeiro líder é aquele que abre mão do seu conforto pessoal para lutar pelas causas do seu povo ainda que isso lhe custe a própria vida. O verdadeiro líder compreende que se um ideal é maior do que a vida, vale a pena dar a vida pelo ideal”.
O grande esportista londrino Charles Studd, ao ser questionado sobre as razões de ter abdicado da sua riqueza e sucesso para ser missionário, respondeu: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu faça por Ele pode ser grande demais”. Moisés, Ester, Davi, Neemias e Paulo aprenderam o que é viver para realizar os propósitos do coração de Deus. E nós? Certamente, melhor do que realizar os nossos próprios “sonhos” é cumprir o soberano projeto de Deus.
3. Orando em tempos de crise - “… assentei-me e chorei”(Ne 1:4). Ao tomar conhecimento da situação lastimável do seu povo (que estavam em grande miséria e desprezo), em Jerusalém, e das condições do muro (fendido) e das portas da cidade (queimadas a fogo), Neemias derrama a sua alma em fervente oração (ler Ne 1:4-11); oração essa que foi regada com abundantes lágrimas; não somente com lágrimas, mas, também, com jejum, lamento, adoração e confissão. Em tempo de crise, não há modelo melhor a seguir pelo um líder responsável do que este.
Neemias sempre foi um homem muito ocupado, mas não tão ocupado a ponto de não ter tempo para Deus. Você encontrará dez de suas orações no livro de Neemias (1:4s; 2:4; 4:4; 5:19; 6:9,14; 13:14,22,29,31). Sua confiança estava no Todo-poderoso que ouve a atende as nossas orações.
Um dos truques do diabo é manter-nos tão ocupados que não encontramos tempo para orar. Se Neemias não fosse um homem de oração, o futuro de Jerusalém teria sido outro. A força da oração é maior do que qualquer combinação de esforços na terra. A oração move o céu, aciona o braço onipotente de Deus, desencadeia grandes intervenções de Deus na história. Quando o homem trabalha, o homem trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.

III. A INTERCESSÃO DE NEEMIAS

Neemias começa seu ministério orando. Sua oração é uma das mais significativas registradas na Bíblia. Vemos nela os elementos da adoração, petição, confissão e intercessão. Como consolador, Neemias viveu perto das pessoas; como intercessor, perto de Deus.
Um intercessor é alguém que se levanta diante do trono de Deus a favor de alguém. Esquilos foi condenado à morte pelos atenienses e estava para ser executado. Seu irmão Amintas, herói de guerra, tinha perdido a mão direita nabatalha de Salamis, defendendo os atenienses. Ele entrou na corte, exatamente na hora que seu irmão estava para ser condenado e, sem dizer uma palavra, levantou o braço direito sem mão na presença de todos. Os historiadores dizem que quando os juízes viram as marcas do seu sofrimento no campo de batalha e relembraram o que ele tinha feito por Atenas, por amor a ele, perdoaram o seu irmão.
1. Ele adorou a Deus. Um intercessor aproxima-se de Deus com um profundo senso de reverência. Neemias começa a sua intercessão adorando a Deus - “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível…” (v. 5). Neemias entende que Deus é o governador do mundo. Ele focaliza sua atenção na grandeza de Deus, antes de pensar na enormidade do seu problema. Um intercessor aproxima-se de Deus sabendo que Ele é soberano, onipotente, diante de quem precisamos nos curvar cheios de temor e reverência.
2. Ele intercedeu por seu povo - “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos…” (1:6). Um intercessor é alguém que se coloca na brecha a favor de alguém. Ele sente a dor dos outros em sua própria pele. Um egoísta jamais será um intercessor. Só aqueles que têm compaixão podem sentir na pele a dor dos outros e levá-la ao trono da graça. Neemias chorou, lamentou, orou e jejuou durante quatro meses pela causa do seu povo. Muitas vezes, começamos a interceder por uma causa e logo a abandonamos. Neemias, porém, orou 120 dias com choro, com jejum, dia e noite. Ele insistiu com Deus. Sua oração foi persistente e fervorosa.
3. Ele fez confissão de pecados(Ne 1:6b). Neemias orou: “[…] e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado”. Neemias não ficou culpando o povo, mas identificou-se com ele. Um intercessor não é um acusador, jamais aponta o dedo para os outros, antes, levanta as mãos para o céu em fervente oração.
Um intercessor faz confissões específicas. Muitas confissões são genéricas e inespecíficas, por isso sem convicção de pecado e sem quebrantamento. Neemias foi específico: “Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (1:7). Para que a oração tenha efeito, precisa ser acompanhada de confissão. Quem confessa seus pecados e os deixa alcança misericórdia (Pv 28:13).
4. Um intercessor ora e age. Os homens práticos são aqueles que oram e agem. Oração sem ação é fanatismo; ação sem oração é presunção. Neemias orou, jejuou, lamentou e chorou por 120 dias. Ele colocou essa causa diante de Deus, mas também colocou a mesma causa diante do rei. Neemias ora e toma medidas práticas: vai ao rei, informa-o sobre a condição do seu povo, faz pedido, pede cartas, verifica o problema, mobiliza o povo e triunfa sobre dificuldades e oposição.
Neemias compreende que o maior rei da terra está debaixo da autoridade e do poder do Rei dos reis. Neemias compreende que o mais poderoso monarca da terra é apenas um homem. Ele sabe que só Deus pode inclinar o coração do rei para atender ao seu pedido. Neemias compreende que a melhor maneira de influenciar os poderosos da terra é ter a ajuda do Deus todo-poderoso. Ele vai ao rei confiado no Rei dos reis. Ele conjuga oração e ação. Pela oração de Neemias um obstáculo aparentemente intransponível foi reduzido a proporções domináveis. O coração do rei se abriu, os muros foram levantados e a cidade reconstruída. A oração abre os olhos para coisas antes não vistas. Nossas orações diárias diminuem nossas preocupações diárias.

CONCLUSÃO

Neemias ergue-se como um dos maiores modelos do mundo de um líder servo. Ele continua sendo uma referência depois de mais de dois mil anos de como exercer a liderança no centro da vontade de Deus. Ele “foi um líder que orava e agia, que falava e fazia, que planejava e motivava, que confrontava e consolava, que buscava a glória de Deus e o bem do povo e não sua própria promoção. Sua vida é um exemplo, sua liderança é um estandarte, seu trabalho é um monumento. A poeira do tempo não pode apagar seus feitos. Sua abnegação e coragem são tônicos que ainda fortalecem os braços de muitos líderes. Sua piedade e engenho administrativo são faróis que alumiam a estrada daqueles que abraçam a vida pública. Sua compaixão e lágrimas pelos desassistidos de esperança são bálsamo que aliviam as feridas de muitos peregrinos. Suas orações e zelo pela verdade balizam o caminho de muitos embaixadores de Deus na História”(Dias Lopes, Hernandes - Neemias - O líder que restaurou uma nação).
Seu modelo de liderança é apropriado, oportuno e necessário nestes dias, pois atravessamos uma crise profunda de liderança no orbe evangélico e até mesmo familiar. Estamos vivendo uma epidêmica crise de identidade, em que as palavras “cristão” e “evangélico” em muito se esvaziaram de seu real significado. Nossa oração é que Deus levante líderes destemidos e comprometidos com os valores do reino de Deus; que promovam a unidade e união do povo de Deus; que sejam desprovidos de interesses egoístas; líderes de oração e de ação; líderes que promovam a restauração moral e espiritual de nossa gente. Amém!
——
Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald - Comentário Bíblico popular(Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal
Revista Ensinador Cristão - nº 48.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico Beacon - CPAD
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA
Hernandes Dias Lopes - Neemias(o líder que restaurou uma nação).

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Lição 13-A Plenitude do Reino de Deus



Texto Áureo: Is. 11.1 - Leitura Bíblica: Is. 11.1-9

Objetivo: Mostrar aos alunos que na consumação de todas as coisas Deus estabelecerá plenamente o Seu Reino e o entregará como herança aos que tiverem recebido a Jesus Cristo como o seu Salvador.

INTRODUÇÃO
Conforme temos estudado ao longo deste trimestre, o Reino de Deus é estabelecido a partir da tensão entre o “já” e o “ainda não”. Isso quer dizer que experimentamos já a realidade do Reino, mas que esse somente será pleno no futuro. Na lição de hoje destacaremos alguns aspectos escatológicos - que dizem respeito às últimas coisas - do Reino. Primeiramente discorreremos sobre o arrebatamento, a bendita esperança da Igreja. Em seguida, a implantação do Reino Milenal de Cristo. E por fim, a eternidade, a consumação final que se estabelecerá para sempre.

1. ARREBATAMENTO, A ESPERANÇA DA IGREJA
O arrebatamento é apresentado no Novo Testamento como um “translado” (I Co. 15.51-52; I Ts. 4.15-17) no qual Cristo virá para a sua Igreja. A vinda de Cristo, propriamente dita, com seus santos. Paulo trata do arrebatamento como um “mistério” (I Co. 15.51-54), isto é, uma verdade não revelada até seu desvendamento pelos apóstolos (Cl. 1.26), sendo assim, um evento em separado. O ensinamento bíblico é o de que Cristo pode voltar a qualquer momento para arrebatar a sua igreja, sem sinais ou advertências prévias. É isso que significa iminência, um acontecimento que pode acontecer repentinamente (I Co. 1.7; 16.22; Fp. 3.20; 4.5; I Ts. 1.10; 4.15-18; I Ts. 5.6; I Tm. 6.14; Tt. 2.13; Hb. 9.28; Tg. 5.7-9; I Pe. 1.13; Jd. 21; Ap. 3.11; 22.7,12,20; 22.17,20). Todas essas passagens mostram que não haverá sinais específicos antes do arrebatamento da igreja. Os sinais de Mt. 24 não são para a igreja, mas para os santos da Tribulação, e como bem sabemos, nenhuma passagem da Tribulação se refere à igreja, mas a Israel (Dt. 4.29,30; Jr. 30.4-11; Dn. 8.24-27; 12.1,2). Se existe algum sinal para a igreja, que precede ao arrebatamento, esses se encontram em I Tm. 4.1 e II Tm. 3.1. A Igreja é instruída a amar a volta de Cristo, como uma noiva que aguarda o seu amado para o casamento (I Pe. 1.8). Esse momento de expectativa deva ser caracterizado não por ansiedade, sequer devemos atrever-nos a marcar dia ou hora, mas a buscar uma vida pura, em santidade, agradando Àquele que nos salvou (I Jo. 3.2-3; II Pe. 3.11-15).


2. O MILÊNIO E A PLENITUDE DO REINO DE DEUS
O Milênio será estabelecido por quando Cristo voltar em glória (Is. 60.20; 61.2; Ez. 21.27; Dn. 7.22) e terá a duração de mil anos (Ap. 20.6). Esse será o período da manifestação plena da gloria de Jesus Cristo (Is. 9.6; Sl. 45.4; Is. 11.4; Sl. 2.9; 72.4). Por ocasião do Milênio se cumprirão as promessas da aliança de Deus com Abraão a respeito da terra e da descendência (Is. 10.21,22; 19.25; 43;1; 65.8,9; Jr. 30.22; 32.38; Ez. 34.24,30,31; Ma. 7.19,20; Zc. 13.9; Ml. 3.16-18). Também se cumprirão às promessas da aliança com Davi (Is. 11.1,2; 55.3,11; Jr. 23.5-8; 33.20-26; Ez. 34.23-25; 37.23,24; Os. 3.5; Mq. 4.7,8). Durante o Milênio Satanás estará preso (Ap; 20.1-3, aquele que é o Deus desta era (II Co. 4.4). Finalmente, durante o Milênio as pessoas experimentarão a manifestação da justiça (Is. 11.5; 32.1; Jr. 23.3; Dn. 9.24). Cristo será a figura central no Reino Milenal, como o Renovo (Is. 4.2; 11.1; Jr. 23.5; Zc. 3.8,9), o Senhor dos Exércitos (Is. 24.23; 44.6), o Senhor (Mq. 4.7; Zc. 14.9), o tronco de Jessé (Is. 11.1,11), o filho do homem (Dn. 7.13). Esse será um período de jurisprudência gloriosa, no qual Jesus anunciará a vontade e alei de Deus (Dt. 18.18,19; Is. 33.21,22; At. 3.22; Is. 2.3; 42.4). O Reino Milenial de Cristo será caracterizado: 1) pela justiça (Mt. 25.37; Is. 60.21; Ml. 4.2; Sl. 110.4; Hb. 7.2); 2) pela obediência (Ef. 1.9,10; Sl. 22.27,28; Ml. 1.11); 3) pela santidade (Is. 6.13; 35.8-10); 4) pela verdade (Is. 42.3; Jr. 33.6); e 5) pela plenitude do Espírito (Jl. 2.28,29; Ez. 37.14; Is. 32.15; 44.3). Essa será uma época de plenitude do Reino, no qual haverá paz (Is. 2.4), alegria (Is. 9.3,4), santidade (Is. 1.26,27), glória (Is. 24.23), consolo (Is. 12.1,2), justiça (Is. 11.5), conhecimento pleno (Is. 11.1,2,9), instrução (Is. 2.2,3), sem maldição (Is. 11.6-9), sem doença (Is. 33.24), de proteção (Is. 41.8-14), de liberdade (Is. 14.3-6), de reprodução (Jr. 30.20), de trabalho (Is. 62.8,9), de prosperidade econômica (Is. 4.1) e de adoração (Is. 45.23).


3. ETERNIDADE E A CONSUMAÇÃO FINAL DO REINO
A terra nos foi dada pelo Senhor para que dela fôssemos mordomos, por isso, enquanto aqui estivermos, precisamos tratá-la com carinho, pois esses princípios foram deixados por Deus para Israel e que podem ser aplicados aos dias de hoje (Ex. 23.11,29; Lv. 25.5; II Cr. 36.21; Sl. 104.13,14,30). Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que essa terra, no devido tempo estabelecido por Deus, passará (II Pe. 3.10). Quando isso acontecer, o Senhor nos proverá uma nova terra, a Nova Jerusalém celestial (Hb. 12.22; Ap. 21.1,2), edificada por Deus e prometida aos santos (Hb. 11.16; 12.22) e testemunhada por aqueles que adentraram ao Milênio (Ap. 13.6). Essa será uma espécie de cidade satélite de onde o Rei, Jesus, governará com os santos (Ap. 21.1-3) que foram ressuscitados e/ou arrebatados (I Ts. 4.16,17). O céu é um lugar de bênçãos sem igual, pois lá não haverá lágrimas (Ap. 21.4), nem morte (Ap. 21.4), e muito menos sofrimento (Ap. 21.4). O escritor sacro nos diz que ali também não haverá noite (Ap. 21.23-25) nem imoralidade, rebelião e violência (Ap. 21.27). A maldição do pecado, por fim, perderá o seu poder (Ap. 22.3). No céu se dará a plenitude do relacionamento com Deus em Cristo, pois lá nós O conheceremos perfeitamente (Ap. 21.3; 22.4), O adoraremos e O serviremos (Ap. 22.3), não havendo, portanto, necessidade de templos (Ap. 21.22). Como se tudo isso já não fosse o bastante, ainda teremos o privilégio de reinar com Cristo (Ap. 22.5).


CONCLUSÃO
Concluímos este trimestre com uma mensagem de esperança. Na verdade, o Reino de Deus traz esperança para os desalentados. A morte não é o fim, pois aguardamos o arrebatamento iminente da Igreja. Para aqueles que já se foram, resta a certeza da ressurreição (I Ts. 4.13-17). Conforme instrui Paulo aos crentes de Tessalônica, essa é uma verdade confortadora. Na glorificação do Corpo e no estabelecimento do Milênio, a igreja verá a plenitude do Reino de Deus, o qual já experimentamos, ainda que em parte. Louvamos a Deus pelas lições deste trimestre, pela percepção integral de Reino que o Senhor nos possibilitou por meio desses estudos.


BIBLIOGRAFIA
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2002.
SILVA, A. G. O calendário da profecia. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
Publicado no blog Subsidio EBD

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lição 12-A Integridade da Doutrina Cristã



Objetivo: Ressaltar a relevância da integridade da doutrina cristã para a maturidade da igreja.
INTRODUÇÃO
Ao longo da sua história, a igreja sofreu ataques de todos os lados, tanto de fora quanto de dentro. Em I Tm. 4.1, Paulo admoesta a Timóteo em relação às doutrinas que se proliferariam nos últimos dias. Em II Tm. 3.1-14, o mesmo apóstolo lista as implicações práticas das doutrinas enganadoras, difundidas por aqueles que não têm compromisso com as verdades cristãs. O antídoto contra as falsas doutrinas é apresentado em II Tm. 3.15-17, o conhecimento e a prática da doutrina verdadeira. Ciente dessa realidade evidente na atualidade, estudaremos, na lição de hoje, a respeito da relevância da doutrina cristã na igreja.
1. DEFININDO DOUTRINA CRISTÃ
O termo doutrina - didachê em grego - significa, basicamente, ensino e instrução. Os ensinamentos de Cristo, em Mt. 7.28; 22.23; Mc. 1.22,27; 4.2; 12.38; Jo. 7.16; 18.19, podem ser denominados de doutrina, mais especificamente doutrina de Cristo, e, por essa característica, de doutrina cristã (At. 13.12; II Jo. 9). A necessidade de uma sã doutrina, baseada nos ensinamentos dos apóstolos, é destacada por Paulo em I Tm. 1.10; 4.6,13; 5.17; 6.1. A relevância do ensinamento é apontada ainda em Rm. 6.17; 16.17; Tt. 1.9; II Tm. 4.2; II Jo. 10. O autor da Epístola aos hebreus utiliza a palavra grega logos - palavra - em Hb. 6.1 - para se referir à doutrina em relação ao ensinamento fundamental de Cristo. A palavra portuguesa - doutrina - vem do verbo latino docere, que significa “ensinar”. Há igreja, por natureza, tem uma função educativa, o próprio Jesus nos instrui para que aprendamos dEle (Mt. 11.29). Jesus destacou a relevância do ensino na Grande Comissão, na tarefa de fazer discípulos (Mt. 28.20). Dentre os dons ministeriais, Paulo elenca o do ensino, reconhecendo que os mestres são dádivas divinas (Ef. 4.11), e a necessidade de que haja na igreja pessoas idôneas na Palavra, a fim de passar os ensinamentos de Cristo às gerações seguintes (II Tm. 2.2). O ensinamento na igreja é um dom espiritual, mas carece de esmero, ou seja, dedicação (Rm. 12.7), portanto, aqueles que atuam nessa área devam investir no conhecimento das Escrituras. Paulo é um exemplo de mestre na doutrina cristã. Ele diz não ter se negado a ensinar aos crentes da igreja (At. 20.20). Jesus foi um Mestre por excelência, pois Ele ensinava com autoridade (Mt. 7.28,29), por isso seus discípulos O chamavam de Rabi (Mt. 26.25,49; Mc. 9.5; 11.21; Jo. 1.38,49; 4.31), bem como outras pessoas (Jo. 3.2; 6.25). O próprio Jesus referiu a si mesmo como Mestre em Mt. 23.8 e Jo. 13.13. Por isso, uma igreja que é cristã, precisa estar disposta a ouvir os ensinamentos de Jesus, conforme expostos no Evangelho.
2. O PERIGO DAS FALSAS DOUTRINAS
A importância do ensinamento cristão se dá, entre outros motivos, em resposta aos falsos ensinamentos que se propagam no seio da igreja, os evangelhos diferentes (II Co. 11.4). O Senhor Jesus destacou os perigos dos falsos ensinamentos, que resultaria no engano de muitos, até mesmo dos eleitos (Mt. 7.15-20). Seguindo as instruções bíblicas, devemos ter cuidado para não nos tornarmos presa fácil das falsas doutrinas. Para tanto, precisamos julgar os espíritos, pois existem muitos que não provêem de Deus (I Jo. 4.1). Em sua Epístola aos Gálatas, Paulo repreende os crentes por terem deixado a sã doutrina e seguirem um outro evangelho (Fl. 1.7-9), e destaca o fruto do Espírito, como a característica central para identificar se alguém, de fato, professava a genuína fé (Gl. 5.22,23). Além desses critérios, existem outros fundamentados na Bíblia: 1) reverência e humildade, em oposição à arrogância e grosseria (II Co. 10.18); 2) amabilidade ou imposições (II Tm. 2.24-26); 3) desrespeito às autoridades, inclusive o Senhor, governo e pais (II Pe. 2.10-12; Jd. 8-10); 4) falta de respeito e amor em relação à liderança cristã (I Co. 3.1-9); 5) ao invés de fomentarem o amadurecimento espiritual criam dependência (At. 17.11; Ef. 4.11-16); 6) exploração financeira dos fiéis (I Pe. 5.2; II Pe. 2.3); 7) falta de observância aos padrões divinos de sexualidade (II Pe. 2.14); falta de compromisso com a Palavra de Deus, querem agradar aos ouvintes, por isso falam o essas querem, não o que está escrito (II Tm. 4.3,4); 9) sobrecarregam os fiéis a fim de satisfazerem interesses próprios (Fp. 2.3,4); 10) centralizam a atenção em si mesmos, ao invés de focarem Jesus Cristo (At. 20.28-31; III Jo. 9,10); 11) colocam-se sempre acima das pessoas, como celebridades, não se consideram irmãos (Mt. 23.8-12); e 12) incitam o culto à personalidade, pessoas são supervalorizadas (Gl. 2.11-21). Esses critérios bíblicos são fundamentais para a identificação de grupos doutrinários e doutrinas que não correspondem à Palavra de Deus.
3. A DOUTRINA CRISTÃ NA IGREJA
O antídoto contra os falsos ensinamentos na igreja é o investimento no doutrina, no ensinamento bíblico, como orientou Paulo a Timóteo (II Tm. 3.15-17). A igreja cristã deve priorizar o ensinamento bíblico. Infelizmente, ao invés de incentivarem os crentes a participar da Escola Dominical, muitos líderes promovem movimentos sensacionalistas. As escolas bíblicas, outrora uma realidade nas igrejas, devem ser resgatadas, com duração suficiente para que ocorra aprendizado efetivo. Os institutos bíblicos não devem ser censurados, principalmente quando esses servirem de aliados para a formação doutrinária da igreja, e cujo fim seja a aplicação dos conhecimentos ali adquiridos para a edificação do Corpo de Cristo. Os cultos de instrução e ensino devam ter primazia, considerando que é nesse serviço que o pastor tem a oportunidade de expor doutrinas e o texto bíblico. Os líderes da igreja também precisam desenvolver um ensino sistemático, destacando as doutrinas basilares da fé cristã, e também expondo inteiramente livros da Bíblia. Enquanto agência de ensinamento cristão, a Escola Bíblica Dominical tem contribuído ao longo da história da igreja, na verdade, muitos obreiros foram formados nas aulas da EBD. A arquitetura eclesiástica deve, inclusive, investir na expansão da EBD. Um líder que se preocupa com o ensinamento da Palavra na igreja, busca identificar e separar para o ministério do ensino pessoas comprometidas com e dedicadas a esse ministério. Se possível, constroem salas de aulas na igreja e as aparelham com recursos multimídia a fim de que alunos e professores possam tirar maior proveito do ensino-aprendizagem durante as aulas. Os crentes que frequentam a EBD, escolas bíblicas, institutos bíblicos e cultos de instrução não se deixam levar por qualquer vento de doutrina, pois estão alicerçados Rocha, a Palavra de Deus (Mt. 7.24,25).
CONCLUSÃO
Integridade, de acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem a ver com inteireza e pureza. Uma igreja que se pauta pela doutrina cristã está alicerçada no próprio Cristo. Desde o princípio, Satanás quis subverter a Palavra de Deus (Gn. 3.1-5). Para que a igreja tenha saúde espiritual, essa, como Jesus, ao ser tentado (Mt. 4) deva se pautar pela Palavra de Deus. Para que a igreja seja contracultura na sociedade essa deva expor e viver em conformidade com as palavras de Cristo em piedade (I Tm. 6.1-3), conhecendo não apenas os princípios doutrinários, mas também dando o exemplo (II Tm. 3.10). Essa é uma necessidade urgente, considerando que já testemunhamos os tempos a respeito dos quais Paulo advertiu a Timóteo, em que muitos não querem mais dar ouvidos à sã doutrina, preferem amontoarem para eles mestres conforme seus desejos desenfreados (II Tm. 4.2,3).
BIBLIOGRAFIA
GANGEL, K. O., HENDRICKS, H. G. Manual de ensino para o educador cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
LEBAR, L. E. Educação que é cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
Publicado no blog Subsidio EBD

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lição11-A Influência Cultural da Igreja


Texto Básico: Gn 1:26-30
E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra“(Gn 1:28).
INTRODUÇÃOA Igreja é um organismo vivo, o corpo de Cristo (1Co 12:27a), a universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus (cf. Hb 12:23a). Ela se apresenta sobre a face da Terra, como uma reunião de igrejas locais, grupos sociais, que fazem parte de uma cultura, que têm tarefas a cumprir enquanto Jesus não volta para os arrebatar e os levar para estar para sempre com Ele (João 14:3; 1Ts 4:16,17). Além do mais, a Igreja é cada um de nós, seus membros em particular (I Co.12:27b), de sorte que cada um dos salvos tem, também, obrigações a cumprir perante o seu Deus enquanto Jesus não volta ou não somos chamados para a eternidade. Como servos de Deus, vivemos em sociedade e fazemos parte de uma cultura. Todavia, temos a mente de Cristo; desta feita, devemos exercer influencia sobre a cultura transformando-a segundo os valores do Evangelho de Cristo. E isso não tem a ver com a Igreja se misturando ao mundo em suas práticas. A ideia de ela exercer uma influência cultural na sociedade em geral tem a ver com a capacidade do Evangelho de atingir todas as camadas sociais por meio daqueles que estejam transmitindo a mensagem de forma dinâmica em cada um dos seus segmentos.
I. A CULTURA ANTES E APÓS A QUEDAQuando o homem foi criado por Deus, o seu caráter era bom, até porque tudo quanto Deus fez foi muito bom (Gn 1:31). Logo quando o Senhor anuncia a criação do homem, afirma que este ser será feito à Sua imagem conforme a Sua semelhança (Gn 1:26), numa clara demonstração, pois, de que o homem teria um caráter exemplar, uma estrutura moral e espiritual que faria lembrar a do próprio Deus. É, aliás, este o significado das palavras de Salomão, ao dizer que Deus fez o homem reto (Ec 7:29).
1. A natureza da cultura humana. O texto de Gênesis 1:26-30 mostra que Deus nos criou como seres sociais que produzem cultura. Cultura é o conjunto de manifestações sociais, lingüísticas e comportamentais de um povo ou civilização. Fazem parte da cultura de um povo as seguintes atividades e manifestações: música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos, formas de organização social, etc. O caráter do ser humano é sobremaneira influenciado por todos esses elementos constitutivos da cultura. Se eles não se coadunam com os princípios da Palavra de Deus, então, certamente, teremos uma cultura desviada para o mal.
Sendo imagem e semelhança de Deus, o homem era dotado de um caráter que o tornava o reflexo da glória do Senhor. Olhando para o homem, era possível enxergar o próprio caráter divino, pois o homem era uma projeção de Deus na criação. Assim como o querubim ungido, que “era perfeito nos seus caminhos, desde o dia em que foi criado até que se achou iniqüidade nele” (cf. Ez 28:15), assim também era o homem.
A primeira característica apontada por Deus neste caráter de Sua mais sublime criatura é a capacidade de liderança, o domínio sobre a criação terrena. Ao anunciar a criação, Deus disse que o homem dominaria sobre a criação terrena (Gn 1:26). Nesta posição, o homem deveria manifestar um contraste entre ele e as demais criaturas. Ele foi dotado de capacidade extraordinária para criar e desenvolver culturas, bem como extingui-las. Todavia, o fato de poder exercer domínio sobre a Criação e de desenvolver culturas não significa que o homem possa fazer o que deseja, que destrua os animais (matança de forma indiscriminada) ou polua a Terra. Como ser criado por Deus, o homem deveria usar de sabedoria na administração da terra, usando-a para habitação, para seu prazer, tendo boa alimentação a seu dispor, preservando as obras criadas, pois a criação não pertence ao homem(Sl 24:1); porém, deve tratá-la com equilíbrio. Deus criou o homem para que reinasse sobre toda a terra (Gn 1:28). 
O homem ao se fazer servo do pecado(João 8:34), perdeu tal domínio sobre a Terra, nada mais fazendo senão o desejo de sua natureza pecaminosa (Rm 7:14-24), que o atrai e o leva, inevitavelmente, ao pecado (Tg 1:14,15). Seu caráter, portanto, passa a ser moldado pelo pecado, distorcendo a imagem e semelhança de Deus que lhe foram impressas no momento de sua criação. Por causa do pecado, as culturas criadas e desenvolvidas pelo ser humano estão fatalmente comprometidas pelo mal(Gn 3:5-10,17-19).
2. A cultura como beleza da criação. Uma das capacidades que diferencia o ser humano dos animais irracionais é a de produção de cultura. O ser humano é mais que criatura, pois existe entre ele e Deus uma relação mais profunda, mais significativa. Ele foi criado para viver numa situação familiar com Deus, numa íntima comunhão. Mas, devido à sua queda deliberada no Éden, transgredindo à vontade divina (1Tm 2:14), a criação ficou submissa à vaidade (Rm 8:20-22). Apesar disso, a beleza da criação ainda se reflete na capacidade que homem tem de criar e desenvolver cultura. Ainda expressamos a imagem de Deus, e o modo como o fazemos pode ser demonstrado pela nossa criatividade e maneira de construir cultuas. Este era o propósito de Deus quando criou o ser humano, e até hoje continua sendo seu propósito para nós. O plano original de Deus não foi cancelado pela queda. Ainda refletimos “por espelho”(1Co 13:12), “obscuramente”(ARA), nossa natureza original como portadores da imagem de Deus.
3. A Queda manchou a cultura humana. O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus no sentido espiritual, porém após o pecado de Adão, o pecado manchou esta imagem divina no homem, e com isto alguns traços da imagem de Deus no homem foram perdendo o valor. Isto é melhor compreendido ao ver o pecado crescendo, e os valores morais perdendo o valor, e ver que o homem após o pecado tem uma facilidade muito grande de não cumprir suas palavras, de desrespeitar o próximo, e desobedecer ao seu Criador, e, por conseguinte, produzir culturas voltadas para o mal. A queda fatalmente manchou a cultura humana!
Será que os homens de nossos dias ainda são a imagem e semelhança de Deus? A resposta é não, pois somente a obra expiatória de Cristo poderá recuperar a imagem de Deus no homem, mediante o arrependimento dos pecados.Assim, quando o homem recebe o amor de Cristo, o apostolo Paulo afirma que o homem passa a ser uma nova criatura(2Co 5:17). A palavra nova criatura quer dizer que a primeira criação já não mais existe, a imagem do pecado que restou de Adão deixa de existir, e assim em Cristo o homem passa a ser novamente a imagem de Deus, pois tudo se faz novo.
II. EXEMPLOS BÍBLICOS DE RELACIONAMENTO CULTURAL
1. Daniel discerne a cultura babilônica.
 O império babilônico era singular em belezas artísticas, arquitetônicas, literárias e científicas. Indaga retoricamente o rei Nabucodonosor: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para casa real?”(Dn 4:30). Nesse contexto cultural, achava-se Daniel.
Jovens longe de casa enfrentam tentações. Se cruzar a linha e violar alguns princípios ensinados pelos pais, quem vai saber? Imagine, então, jovens levados de uma maneira violenta para uma terra estranha. Eles nem sabiam se os pais ainda estavam vivos. Poderiam até duvidar do poder do Deus que serviam, pois Ele não protegeu seu povo dos ataques da Babilônia. E agora o imperador mandou que eles fossem preparados para servir no governo dele.
Daniel percebeu que alguma coisa dos alimentos e bebidas fornecidos pelo rei traria contaminação. É provável que alguns destes alimentos fossem proibidos para os judeus na lei dada no monte Sinai 800 anos antes. Como este jovem reagiu? Poderia ter oferecido desculpas, dizendo que ele não tinha controle da situação e teria que ceder às ordens do rei. Daniel não tinha controle do rei, nem do homem encarregado da responsabilidade de supervisionar os jovens em treinamento, mas tinha controle de si, e tomou a sua própria decisão. “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se” (Dn 1:8). Deus abençoou esta decisão de Daniel, e o chefe permitiu que ele e os seus companheiros fizessem uma experiência, comendo comidas mais simples durante dez dias. Deus estava com eles, e o chefe viu que progrediram mais do que os jovens que comiam os alimentos do rei.
O resultado foi favorável, mas a decisão de Daniel não foi condicionada no resultado. Ele decidiu fazer a coisa certa antes de falar com o chefe. Mesmo se este tivesse recusado o pedido do jovem, Daniel já tinha tomado a decisão. Será que nós temos a mesma convicção?
Nós enfrentamos situações em que temos que insistir em fazer a coisa certa, ou ceder às pressões de outros, até de pessoas que exercem autoridade sobre nós. Um superior no trabalho pode exigir que mintamos para um cliente, para um fornecedor, ou para o próprio governo. Se insistirmos em fazer a coisa certa e falar somente a verdade, poderemos sofrer consequências, talvez até perdendo o emprego. E não temos garantia de intervenção divina, como aconteceu com Daniel. O que faremos? Resolveremos, firmemente, não nos contaminar?
O contexto cultural da Babilônia era totalmente antagônico aos princípios morais e espirituais de Daniel, mas não contaminou e nem influenciou o seu caráter. Ele soube muito bem discernir os prós e os contras da cultura babilônica. “Quando os valores de sua fé eram desafiados, Daniel não transigia nem negociava com os seus princípios espirituais, morais e éticos (Dn 1:8; 6:6-10). Através de uma postura tão firme e corajosa, fez sobressair sua fé no Deus único e verdadeiro. É assim que devemos agir e reagir, como povo de Deus, em relação ao contexto cultural no qual estamos inseridos”.
O mundo hoje é a Babilônia de Daniel. Para entender como que a Babilônia dos nossos dias pode influenciar precisa vê-la como um sistema. O que é um Sistema? É uma forma de governo, conjunto de princípios que coopera para o funcionamento de uma organização. Trazendo para o nosso contexto o sistema estabelece os comportamentos das pessoas que ele rege. Por exemplo, o rei Nabucodonosor queria preparar Daniel para gerar uma mentalidade babilônica, ou seja, uma mentalidade segundo o sistema babilônico. Hoje, o mundo é regido por um sistema. Um sistema totalmente contrário ao padrão de Deus.
Acreditamos poder afirmar que a Babilônia dos dias de Daniel comparada à“Babilônia” destes “últimos dias“, aquela poderia ser considerada uma cidade monástica. Certamente que lá não havia “permissão legal” para que menores de 18 anos pudessem matar gente de bem, pais de famílias, estudantes, profissionais liberais, pessoas de todas as classes sociais, sem maiores consequências no presente e sem nenhuma consequência no futuro.
Lá em Babilônia os menores assassinos de hoje, seriam condenados à morte. Lá em Babilônia embora houvesse tolerância para com o relacionamento entre homossexuais, por certo o homossexualismo não era celebrado, com “orgulho”, em gigantescos desfiles, ou “paradas do orgulho gay”, prestigiadas pela presença de autoridades governamentais, como acontece na “Babilônia” destes “últimos dias”. Também, com certeza, não havia casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Havia um limite para a prática pecaminosa. Na “Babilônia” de hoje não existe este limite.
Os fatos sociais dos últimos dias, em termos do declínio espiritual, em termos da degeneração moral dos costumes, em termos de decadência social, com certeza, não encontram paralelos na história, de qualquer época. Por certo estamos vivendo naqueles dias preditos por Paulo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos”(2Timóteo 3:1). Por certo que estamos, também, naqueles dias da multiplicação da iniqüidade, referidos por Jesus: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará”(Mateus 24:12).
2. Paulo, Barnabé e a transformação cultural em Listra. “Deus se importa não só com a redenção das almas, mas também com a restauração de sua criação. Ele nos chama para sermos agentes não apenas de sua graça salvadora, mas também de sua graça comum. Nosso trabalho não é somente construir a Igreja, mas também construir uma sociedade para a glória de Deus”(COLSON, Charle; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2. ed. Rio de janeiro : CPAD, 2000, pp. 53,54).
Paulo e Parnabé estavam realizando sua primeira viagem missionária, e, um dia, chegaram em Listra. Lá encontraram um homem aleijado de nascença que ouviu Paulo falar e demonstrou grande interesse. Assim que ouviu a ordem de Paulo para que ficasse em pé, o paralítico saltou e andou. O milagre foi realizado em público. Ao perceberem o que havia acontecido, a multidão, inclusive o sacerdote de júpiter, ficaram tão impressionadas que começaram a adorar Barnabé como se fosse Júpiter e Paulo como fosse Mercúrio. Imaginavam que os “deuses” haviam descido à terra para fazer uma visita e assumido a forma dos dois missionários. Por algum motivo não mencionado no texto, consideraram Barnabé o deus supremo. Como Paulo era quem havia falado, tomaram-no por Mercúrio, o mensageiro de Júpiter(cf 14:8-13).
Júpiter e Mercúrio (nomes latinos dos deuses gregos de Zeus e Hermes) eram populares no mundo romano. O povo de Listra dizia que estes deuses haviam visitado a cidade uma vez. De acordo com a lenda, ninguém lhes ofereceu hospedagem, exceto um casal idoso. Por esta razão, Júpiter e Mercúrio mataram os demais habitantes e recompensaram apenas o casal. Quando os cidadãos de Listra viram os milagres operados por intermédio de Paulo e Barnabé, pensaram que os deuses lhes visitavam novamente. Ao lembrar-se da lenda, imediatamente os habitantes de Listra honraram Paulo e Barnabé e os cobriram de presentes.
Quando os missionários se deram conta de que a multidão desejava adorá-los como se fossem deuses, rasgaram suas vestes, numa expressão pública de protesto e tristeza. Então, saltaram para o meio da multidão e instaram o povo a não cometer tamanha insensatez. Explicaram que não eram deuses, mas homens, como os licaônicos. Seu objetivo era apenas proclamar as boas-novas para que as pessoas deixassem as coisas vãs e adorassem ao Deus vivo(cf 14:14,15). Após a explanação de Paulo sobre a criação(cf 14:15b - 17), o povo relutante desistiu, por fim, da idéia de oferecer sacrifícios aos servos do Senhor. Dessa forma, os dois missionários contrapuseram o Evangelho de Cristo à cultura pagã de Listra. E ali mesmo, estabeleceram uma igreja(Atos 14:21,22). Isso prova que o Evangelho tem o poder de transformar a cultura de uma sociedade por meio da prática da Palavra de Deus(veja At 17:15-34).
III. EVANGELHO, IGREJA E CULTURA
1. Evangelho e cultura.
 A mensagem do Evangelho foi, é e sempre será relacionada a todas e a cada uma das culturas presentes no mundo. Por essa razão, deve ser comunicada de maneira tal que os povos possam receber, entender e experimentar com suas próprias “lentes” (características e perspectivas) culturais.
A natureza da mensagem redentora de Deus aos povos pressupõe que ela deva ser recebida, entendida e respondida por todas as culturas. Mais do que isso, ela precisa ser relevante não somente para qualquer contexto no qual as pessoas vivam, mas também para o indivíduo como um todo e tudo o que influencia o relacionamento desse indivíduo com a realidade integral da vida.
Em todas as culturas existem determinados elementos que são comuns, e que devem ser explorados pela igreja em sua tarefa missionária. Uma igreja que deseja ser relevante deve estudar o grupo que deseja alcançar e, a partir desta analise, definir o tom da palestra, o estilo litúrgico, os ritmos musicais e definir as estratégias que facilitarão o diálogo com as pessoas que ela deseja alcançar.
Em Atos 17, o apostolo Paulo fez seu célebre discurso no areópago de Atenas. Cercado pela elite intelectual daquela cidade, ele apresentou um sermão engajado, no qual citava de memória os filósofos e poetas gregos, demonstrando afinidade com os temas de predileção daqueles homens. E foi assim, começando pelos poetas gregos que o doutor dos gentios conduziu seus ouvintes a mensagem de arrependimento. Quando Paulo mencionou a ressurreição, muitos se escandalizaram e se foram, mas Dionísio e alguns dos presentes se converteram ao cristianismo(Atos 17:34). Paulo foi sábio porque soube usar a cultura em seu benefício, construindo uma ponte por meio da qual introduziu o evangelho.
2. Igreja e cultura. Há pessoas na Igreja que entendem como necessária uma separação cultural entre a comunidade cristã e a sociedade. A Igreja deve usar a cultura em favor do evangelho, mas deve rejeitar valores culturais que se opõem a mensagem cristocêntrica.
De fato, compreendemos que as práticas da Igreja e as do mundo são opostas entre si a partir de sua natureza. A Igreja é a agência do Reino de Deus na Terra, transmitindo a mensagem do Evangelho e tornando Jesus conhecido por palavras e vida, ao passo que o mundo é o campo de atuação de Satanás, onde vidas são destruídas, e as pessoas levadas a viver uma existência sem Deus, ou duvidando dEle. Por isso, a Igreja precisa se organizar para que o Evangelho faça a diferença de forma profunda neste mundo. Não precisamos esperar pelo milênio para ver isso acontecer.
Nancy Pearcey, escritora e professora de Filosofia, faz uma prévia sobre a influência do Evangelho na cultura, dando como exemplo o que acontece com os jovens quando vão à faculdade sem uma sólida formação cristã que os ajude a refutar as ideias anticristãs com as quais terão de conviver. Ela diz: “Na função de pais, pastores, professores e líderes cristãos de grupos de mocidade, vemos constantemente os jovens humilhados pela contracorrente de tendências culturais poderosas. Se tudo que lhes dermos for uma ‘religião do coração’, não serão bastante fortes para se oporem à isca de ideias atraentes perigosas. Os jovens crentes também precisam de uma ‘religião do cérebro’ - educação em cosmovisão e apologética - para equipá-los na análise e na crítica de cosmovisões concorrentes que eles encontrarão no mundo afora. Se estiverem prevenidos e armados, os jovens pelo menos terão a chance de lutar quando forem a minoria entre seus companheiros de classe ou colegas de trabalho. Educar os jovens a desenvolver uma mente cristã já não é opção; é parte indispensável do equipamento de sobrevivência”, diz a professora. E continua: “O primeiro passo para formar uma cosmovisão cristã é superar esta divisão severa entre ‘coração’ e ‘cérebro’. Temos de rejeitar a divisão da vida em uma esfera sagrada, limitada a coisas como adoração e moralidade pessoal, em oposição a uma esfera secular que inclui ciência, economia, política e o restante do cenário público. Esta dicotomia em nossa mente é a maior barreira para liberar o poder do Evangelho por toda cultura hoje” (Verdade Absoluta, CPAD, pág. 22).
3. O despertamento cultural da igreja. Os meios de comunicação tem imposto sobre a sociedade uma carga cultural completamente oposta aos valores do Evangelho. Há alguns meses passados, vimos através da mídia um vídeo que mostrou crianças portadoras de deficiências sendo enterradas vivas pelos pais em uma aldeia indígena. Para os índios daquela tribo, tal prática é aceitável. Para os antropólogos, trata-se de uma questão cultural. Para o Evangelho, aquilo é assassinato.
Na América Hispana, demonstrações de afeto dos pais para com os filhos são tidas como fraqueza, e muitos maridos, por “imposição cultural”, maltratam suas mulheres e são violentos. Para a sociedade isso é cultura, mas para o Evangelho, é pecado (ver Ef 5:25-27).
Nos EUA e na Europa, as pessoas tem desenvolvido uma tendência materialista e cética, onde o individualismo e o egoísmo são as marcas principais. O mesmo tem acontecido na América Latina, embora com menor intensidade. Este individualismo, egoísmo e ceticismo são todos nuances da cultura pós-moderna, mas são totalmente opostos ao Evangelho, que é espiritual, coletivo e altruísta. O que os modernos sociólogos chamam de cultura, a Bíblia chama de pecado.
Portanto, a abordagem que muitos missiologistas faz, de que o missionário deve coincidir totalmente com a cultura, é sofisma. O evangelho não é uma esponja que simplesmente absorve a cultura, mas um poder que redime as culturas. A Palavra de Deus nos dá claro e amplo entendimento para discernir entre valores culturais e vícios morais. Quando se ignora isso, abrem-se as portas para o sincretistimo e paganismo da religião cristã.
Jesus em sua encarnação foi judeu em todo aspecto da existência. No entanto, o fato dele mesmo ser judeu e de estar contextualizando com os judeus não o impediu de denunciar a hipocrisia dos fariseus que lavavam as mãos cerimonialmente antes de comer, quando seus corações continuavam impuros. Ele também se levantou contra o costume de consagrar seus bens ao Senhor quando parentes próximos passavam necessidade. Jesus foi missionário transcultural, mas não se submeteu incondicionalmente a cultura hebréia. Ele a redimiu.
Tudo isso nos revela que o evangelho não é apenas um agente passivo e submisso à cultura, mas um agente transformador. “O evangelho se submete à cultura na mesma proporção em que a cultura se submete ao evangelho, e desafia a cultura com a mesma intensidade que a cultura afronta a Palavra de Deus”.
CONCLUSAO
A Igreja jamais deve ignorar a missão que lhe foi dada por Deus. Se isso acontecer, a Igreja negará a sua razão de ser e está sujeita ao juízo de Deus, como aconteceu com Israel. A missão primordial da igreja no que diz respeito ao mundo é a proclamação do “evangelho do reino”, assim como fez a Igreja primitiva. Corretamente entendido, esse evangelho inclui muitas coisas importantes. Em primeiro lugar, esse evangelho é um convite a indivíduos, famílias e comunidades para se reconciliarem com Deus mediante o arrependimento e a fé em Cristo. Transformemos, pois, a cultura da sociedade com a mensagem do Evangelho.
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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço - Prof. EBD - Assembléia de Deus - Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:William Macdonald - Comentário Bíblico popular(Novo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal
Revista Ensinador Cristão - nº 47.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.